Pré candidato à Presidência afirma que não haverá imposição sobre lideranças do PL no Paraná. Declaração evidencia dificuldades internas enfrentadas por Sergio Moro e abre espaço para adversários ampliarem suas bases.

Na pauta, PLP 185/2024 que “Regulamenta a aposentadoria especial dos Agentes Comunitários de Saúde e dos Agentes de Combate às Endemias, estabelecida pelo § 10 do artigo 198 da Constituição Federal”.
Mesa:
senador Wellington Fagundes (PL-MT);
senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ);
senador Sergio Moro (União-PR);
presidente do Senado Federal, senador Davi Alcolumbre (União-AP).
Foto: Carlos Moura/Agência Senado
A entrada de Sergio Moro no PL resolveu o problema da legenda para disputar o Governo do Paraná, mas não apagou as antigas resistências dentro do partido. Agora, Flávio Bolsonaro deixou claro que não pretende usar a força da direção nacional para obrigar parlamentares e lideranças locais a marcharem com o ex juiz.
Questionado sobre como administrará a resistência ao nome de Moro, Flávio afirmou que buscará convencer os integrantes da sigla por meio do diálogo político.
“Nenhum partido político é quartel”, declarou o senador. Segundo ele, o apoio aos candidatos estaduais deverá ser construído com conversa e convencimento, sem ordens impostas pela direção partidária.
Moro tem legenda, mas ainda busca unidade
A declaração preserva a liberdade dos integrantes do PL, mas também expõe uma fragilidade política da candidatura de Moro. Mesmo tendo sido lançado ao Governo do Paraná com o apoio da cúpula nacional, o senador ainda não conseguiu transformar a decisão partidária em unidade estadual.
A escolha provocou uma debandada significativa. Segundo o Correio da Manhã, o deputado Fernando Giacobo deixou a presidência estadual do partido e anunciou sua desfiliação. Dos 53 prefeitos que pertenciam ao PL, 48 também teriam deixado a legenda após a confirmação da candidatura de Moro.
Grande parte desse grupo manteve proximidade com o governador Ratinho Junior e passou a apoiar Sandro Alex, secretário estadual de Infraestrutura e Logística e pré candidato do PSD ao Palácio Iguaçu.
Aliança nasceu por conveniência eleitoral
A aproximação entre Moro e o PL ocorreu depois de o senador enfrentar dificuldades para garantir sua candidatura dentro da federação formada por União Brasil e Progressistas.
Para Flávio Bolsonaro, a aliança ofereceu um palanque competitivo no Paraná, um dos maiores colégios eleitorais do país. Para Moro, representou uma saída partidária diante do risco de ter sua candidatura barrada pela antiga legenda.
Em maio, Moro foi lançado oficialmente ao governo estadual em um evento realizado em Curitiba, ao lado de Flávio Bolsonaro, Deltan Dallagnol e Filipe Barros. O ato reuniu discursos voltados ao combate à corrupção, à segurança pública e à oposição ao governo Lula.
O palanque foi montado. A unidade, porém, ainda está longe de ser automática.
Adversários enxergam espaço no eleitorado do PL
A decisão de Flávio de não enquadrar as lideranças locais anima principalmente Sandro Alex e Rafael Greca, do MDB. Ambos avaliam que podem conquistar prefeitos, parlamentares e militantes conservadores que permanecem desconfortáveis com a presença de Moro no comando da chapa.
Requião Filho, do PDT, aparece como o principal nome da esquerda e conta com o apoio do presidente Lula.
Moro conseguiu entrar no PL e garantir uma candidatura competitiva. O desafio agora é convencer uma parte do próprio partido de que a aliança não foi apenas uma solução eleitoral negociada em Brasília. Sem essa unidade, o ex juiz pode disputar o governo com o número da legenda, mas sem carregar toda a estrutura política que esperava encontrar.









