Pesquisa aponta ligação entre idade, renda e hábitos alimentares inadequados na gravidez

Pesquisa da UFPR analisa influência da renda, idade e escolaridade na alimentação de gestantes atendidas pelo SUS em Colombo, destacando consumo inadequado de ultraprocessados entre jovens e baixa renda.
Um estudo realizado pelo Departamento de Nutrição da Universidade Federal do Paraná (UFPR) analisou o perfil alimentar de gestantes atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) na cidade de Colombo, Região Metropolitana de Curitiba. A pesquisa identificou que idade, renda e escolaridade são fatores determinantes para a qualidade da alimentação durante a gravidez.
Perfil das gestantes pesquisadas
A pesquisa, coordenada pela professora Doroteia Höfelmann e apresentada na 17ª Semana Integrada de Ensino, Pesquisa e Extensão (Siepe), entrevistou cerca de 604 gestantes residentes em Colombo desde 2018. Entre elas, pouco mais de 62% têm entre 20 e 29 anos, 66% possuem renda familiar per capita de até R$ 750, e 56% apresentam escolaridade inferior a 11 anos.
Hábitos alimentares e exposição a telas
O estudo destacou que quase 80% das gestantes adolescentes (14 a 19 anos) e primigestas realizam suas refeições assistindo a telas, o que pode atrasar a percepção de saciedade e levar ao consumo excessivo. Também foi observado maior consumo de alimentos ultraprocessados, como bebidas adoçadas, embutidos, macarrão instantâneo e salgadinhos entre as jovens e as de menor renda.
Impacto da renda e escolaridade
Gestantes com renda menor tiveram menor acesso a frutas e verduras, enquanto aquelas com maior escolaridade e idade tendem a realizar as três principais refeições diárias e consumirem mais alimentos saudáveis. O consumo inadequado apresenta riscos como partos prematuros, dificuldades no desenvolvimento fetal e complicações gestacionais como diabetes e hipertensão.
Perspectivas futuras
A pesquisa pretende continuar acompanhando essas mulheres e seus filhos ao longo dos próximos anos para avaliar mudanças nas condições alimentares e de vida, além de fortalecer a coleta de dados sobre consumo alimentar infantil e fatores sociais relacionados.
O estudo reforça a importância de políticas públicas que considerem os determinantes sociais para melhorar a alimentação e a saúde materno-infantil na Região Metropolitana de Curitiba.
Fonte: bemparana.com.br










