Após operação da PF, entidades alertam sobre riscos sanitários e irregularidades na venda de produtos em farmácias de manipulação.

Entidades de saúde pedem à Anvisa a proibição de canetas emagrecedoras após operação da PF que revela riscos sanitários.
Entidades solicitam à Anvisa proibição de canetas emagrecedoras
Após uma operação da Polícia Federal (PF) contra a fabricação clandestina de canetas emagrecedoras, cinco entidades de saúde solicitaram à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) a proibição imediata da produção e comercialização desses produtos em farmácias de manipulação. As entidades envolvidas incluem a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso), a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e a Associação Médica Brasileira (AMB).
A solicitação foi motivada pela operação da PF que ocorreu em 28 de outubro, onde foram cumpridos 24 mandados de busca e apreensão em diversos estados, incluindo Bahia, Pernambuco, São Paulo e Rio de Janeiro. Durante a ação, a polícia apreendeu veículos, um avião, embalagens e medicamentos, evidenciando um descontrole no mercado de canetas emagrecedoras.
Riscos à saúde e descontrole do mercado
O documento apresentado às autoridades salienta um “risco sanitário iminente” associado à produção irregular e à circulação em larga escala desses produtos. Segundo as entidades, farmácias de manipulação estão se aproveitando de sua estrutura para comercializar produtos semelhantes à tirzepatida, princípio ativo do medicamento Mounjaro, em quantidades industrializadas, o que é uma violação das normas regulatórias.
As entidades afirmam que a produção de medicamentos complexos como a tirzepatida exige processos rigorosos e não pode ser adequadamente realizada em farmácias de manipulação, que devem atender apenas necessidades específicas de pacientes. Isso levanta preocupações sobre a qualidade e a segurança dos produtos oferecidos ao público, que podem estar sujeitos a contaminações e variações na concentração de substâncias.
Consequências do uso de canetas emagrecedoras
O uso de canetas emagrecedoras falsificadas pode acarretar sérios danos à saúde, incluindo reações adversas graves como pancreatite e hospitalizações por reações alérgicas. As entidades destacam que a falta de controle e regulamentação permite que esses produtos sejam comercializados amplamente, com promoções em redes sociais e aplicativos de mensagem, colocando em risco a saúde da população.
A Anvisa foi contatada para comentar sobre a solicitação, mas ainda não se manifestou. De acordo com as normas da agência, a importação de Insumos Farmacêuticos Ativos (IFAs) requer rigorosos testes de controle de qualidade, o que impossibilitaria a produção em larga escala por farmácias de manipulação. As entidades ressaltam que a função dessas farmácias é individualizar doses, não operar como indústrias farmacêuticas.
A importância da fiscalização
Diante da alta demanda por canetas emagrecedoras e da ausência de fiscalização adequada, as entidades pedem uma ação imediata da Anvisa para proteger a saúde pública. A diretora da Febrasgo, Lia Cruz da Costa Damásio, enfatiza que a produção em larga escala de medicamentos não é compatível com o funcionamento das farmácias de manipulação, que devem operar dentro de um escopo regulatório definido e com supervisão adequada.
As reclamações sobre a falta de controle e a crescente incidência de problemas de saúde relacionados ao uso dessas canetas reforçam a necessidade urgente de uma regulamentação mais rigorosa e de uma fiscalização eficaz no setor, a fim de garantir a segurança dos produtos disponibilizados à população.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: PCERJ










