Especialista destaca que ambos candidatos evitam detalhar ajustes essenciais para equilibrar contas públicas

Josilmar Cordenonssi, economista da Universidade Presbiteriana Mackenzie, destaca que nem Lula nem Flávio Bolsonaro detalham a origem dos recursos para ajuste fiscal necessário.
Josilmar Cordenonssi, professor de Ciências Econômicas da Universidade Presbiteriana Mackenzie, analisou os planos fiscais apresentados por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) para a eleição presidencial de 2026. Segundo ele, embora os dois candidatos proponham caminhos distintos para as contas públicas, ambos evitam detalhar de onde virá o dinheiro necessário para estabilizar a dívida pública e abrir espaço para a redução das taxas de juros.
Em entrevista ao programa Mapa de Risco, do InfoMoney, Cordenonssi resumiu a estratégia de Lula como um ajuste fiscal que pretende evitar cortes nos gastos sociais, enquanto Flávio Bolsonaro defende um ‘tesouraço’, ou seja, cortes abrangentes, mas sem especificar as áreas que serão afetadas. Para o economista, o debate eleitoral ainda não avançou sobre o tamanho e a composição do ajuste fiscal necessário, que inclui a redução de despesas primárias e a revisão dos gastos tributários, como benefícios e regimes diferenciados de tributação.
A proposta orçamentária para 2027 prevê despesas primárias da ordem de R$ 2,6 trilhões, com mais de 92% comprometidos por gastos obrigatórios, deixando uma margem restrita — cerca de 5% do orçamento — para flexibilização, que inclui investimentos e emendas parlamentares. Essa realidade limita o espaço do governo para ajustes e reforça a necessidade de parcerias com o setor privado para projetos de infraestrutura.
Cordenonssi destaca que a trajetória da dívida pública representa uma das principais restrições para a próxima gestão, e que um sinal claro e crível de controle fiscal poderá reduzir a percepção de risco, contribuindo para a queda dos juros. No entanto, ele rejeita a ideia de cortes abruptos, que poderiam causar impactos econômicos e sociais elevados, preferindo uma trajetória gradual de controle das despesas.
O economista cita áreas sensíveis, como subsídios, benefícios tributários, despesas vinculadas, Previdência e política de valorização do salário mínimo, todas com impacto fiscal e custo político elevado. Ele atribui a ausência de debates aprofundados durante a campanha à aversão dos candidatos a apresentar propostas que poderiam custar votos, o que restringe o diálogo público sobre soluções efetivas.
Por fim, Cordenonssi alerta que o país vive acima de suas possibilidades, com economia em crescimento e desemprego baixo, mas com juros elevados e pouca flexibilidade orçamentária. Para ele, o próximo presidente precisará apresentar um plano fiscal crível, mesmo que o ajuste ocorra de forma gradual, pois, inevitavelmente, a conta chegará.









