Suposto repasse de R$ 30 milhões por Daniel Vorcaro para documentário sobre Lula levanta questionamentos jurídicos e políticos

Denúncia aponta que ex-banqueiro Daniel Vorcaro teria financiado com R$ 30 milhões em dinheiro vivo documentário sobre Lula, sem registro formal. Polícia Federal e PGR ainda não têm o material nos autos.
A denúncia publicada pela revista Veja aponta que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro teria entregue R$ 30 milhões em dinheiro vivo para financiar o documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sem qualquer registro formal. Caso confirmado, o repasse indicaria possíveis irregularidades, incluindo pagamento “por fora” e a tentativa de obter contrapartidas em negócios junto a estruturas do governo federal.
A Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) informaram que o material divulgado não consta nos autos da investigação, e suspeita-se que a gravação tenha sido feita após a rejeição da segunda proposta de delação de Vorcaro. Lula e o Palácio do Planalto negam participação ou conhecimento sobre o financiamento do documentário.
Juristas ouvidos pela reportagem destacam que, se comprovado, o caso representaria crimes mais graves do que os investigados no financiamento do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro, cujo patrocínio teria ocorrido de forma oficial. No caso do documentário de Lula, o suposto recurso em dinheiro vivo apontaria irregularidade maior.
De acordo com a revista, Vorcaro teria negociado com o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto valores destinados a fundos de pensão de servidores federais como Previ, Caixa Asset e Petros, com a intermediação do então CEO do banco Master, Augusto Lima, e do senador Jaques Wagner (PT-BA). A defesa de Augusto Lima negou as alegações e classificou os relatos como falsos.
Mensagens extraídas do celular de Vorcaro indicam proximidade com pessoas do entorno presidencial, embora não haja menções diretas ao documentário. A lobista Roberta Luchsinger, investigada por tráfico de influência, também aparece ligada a mensagens sobre o filme.
No âmbito institucional, a Advocacia-Geral da União (AGU) solicitou direito de resposta à revista Veja. A campanha do PT classificou as acusações como sem comprovação e com propósito eleitoral, prometendo medidas judiciais.
Especialistas ressaltam que o foco da investigação deve ser a reconstrução das relações de Vorcaro com intermediários e autoridades, além do rastreamento da circulação dos recursos e possíveis contratos. A Polícia Federal informou que recebeu notícia-crime para apurar os fatos e que as propostas de colaboração premiada de Vorcaro foram rejeitadas por não atenderem requisitos legais.
O episódio ocorre em meio à proximidade do segundo turno das eleições presidenciais de 2026, com potencial impacto político. A apuração dos fatos deverá seguir os trâmites legais, buscando comprovar ou descartar as denúncias levantadas.
Fonte: gazetadopovo.com.br









