Prefeitos do Paraná conhecem projeto que aumentará em 50% potência da hidrelétrica no Rio Iguaçu

Com investimento de R$ 1,3 bilhão, Copel avança no projeto de ampliação da Usina Foz do Areia, prometendo 860 MW a mais e aumento de 50% da capacidade. Prefeitos locais foram apresentados a detalhes do cronograma, mão de obra e programas sociais.
A Copel, estatal paranaense que monopoliza a geração de energia no estado, revelou aos prefeitos de Pinhão e Bituruna o polêmico projeto de ampliação da Usina Hidrelétrica Governador Bento Munhoz da Rocha Netto, popularmente conhecida como Foz do Areia. Com investimento robusto de R$ 1,3 bilhão, a usina terá sua potência instalada elevada em 860 megawatts (MW), um incremento que representa 50% da capacidade atual, saindo de 1.676 MW para 2.536 MW. A mobilização do canteiro de obras está prevista para iniciar já neste mês de setembro, evidenciando a pressão para rápida implementação da expansão.
Projeto com pressa e impacto local
Inaugurada em 1980 no Rio Iguaçu, a maior hidrelétrica da Copel foi planejada na década de 1970 com a clara intenção de expansão futura, reservando espaços para turbinas adicionais. Agora, quatro décadas depois, a estatal ativa essa reserva técnica com o objetivo de atender à crescente demanda por energia no estado e no país. Contudo, esse avanço impõe desafios imediatos às prefeituras envolvidas, que precisam ajustar suas políticas e estruturas para absorver as pressões sociais, ambientais e econômicas decorrentes da obra.
Encontro com prefeitos: formalidade e alinhamento
Nos dias 26 e 27 de agosto, representantes da Copel, incluindo gestores de projetos e responsáveis pelos programas sociais e ambientais, detalharam o cronograma das obras, a previsão de contratação de mão de obra local e os compromissos socioambientais às administrações municipais. Embora a apresentação tenha sido formal, reforça a influência da estatal sobre os municípios, que se veem compelidos a aceitar as condições impostas para garantir benefícios e evitar embates futuros.
Vitória no leilão e consequências
A ofensiva da Copel foi consolidada após vencer o 2º Leilão de Reserva de Capacidade na Forma de Potência (LRCAP 2026), promovido pela Aneel em março. O êxito garantiu o contrato para ampliar a capacidade das duas maiores hidrelétricas da companhia, Foz do Areia e Segredo, com prazo de operação das novas unidades marcado para 1º de agosto de 2030. Essa data impõe ritmo acelerado e destaca a dependência do Paraná em energia gerada por grandes estatais, enquanto municípios locais assumem o ônus do desenvolvimento.
O jogo de poder energético no Paraná
O projeto da Copel evidencia o modelo centralizador da energia no estado, onde decisões estratégicas são tomadas pela estatal e repassadas aos municípios, que têm pouca margem para contestação. A ampliação de Foz do Areia não é apenas um investimento em infraestrutura, mas também um reforço da hegemonia estatal sobre recursos naturais e a gestão ambiental da região, em um momento em que a sociedade demanda mais transparência e participação popular.
A expansão da Usina Foz do Areia marca um capítulo novo na disputa pelo controle energético no Paraná e levanta questões sobre o equilíbrio entre crescimento econômico, interesses públicos e impactos locais, que certamente serão discutidos nos próximos anos.
Fonte: bemparana.com.br








