Líderes tentam destravar projetos controversos em clima de reaproximação entre Lula e Alcolumbre

Após atraso por eleições, Congresso retoma votações com promessa de esforço concentrado; projetos como combate à misoginia e redução de impostos dos combustíveis ganham pressão. Governo aposta em melhora na relação Lula-Alcolumbre para destravar pautas travadas no Senado.
Depois de deixar o início das votações no Congresso Nacional para depois das eleições, deputados e senadores retornam ao plenário nesta semana com um esforço concentrado que tem tudo para ser uma corrida contra o tempo. Os líderes partidários se reúnem nesta terça-feira (11) para definir as prioridades de votação, sob a batuta do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Entre os temas mais quentes, está o projeto que criminaliza a misoginia — uma pauta que já causa tensão e promete embate feroz — e o PLP dos Combustíveis, que propõe zerar ou reduzir impostos federais sobre gasolina, diesel e etanol em momentos de alta internacional do petróleo. A divergência gira em torno dos impactos econômicos e setores produtivos afetados.
A deputada Tabata Amaral (PSB-SP), relatora do projeto contra a misoginia, garante que vai pressionar para que o texto seja pautado, sinalizando que a batalha não está ganha e que o Congresso pode dar mais uma mostra de sua lentidão seletiva.
No campo governista, o Palácio do Planalto espera destravar a medida provisória que extingue a chamada “taxa das blusinhas”, considerada popular e com potencial eleitoral, já que perde validade em agosto. Porém, outras prioridades, como o fim da escala de trabalho 6×1 e a PEC da Segurança Pública, permanecem emperradas no Senado.
O cenário, contudo, já não é tão hostil como nas últimas semanas. A aproximação inesperada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que jantaram juntos após meses de expectativa, pode abrir caminho para alguma trégua e avanço em pautas cruciais travadas pelo Senado.
Além disso, o projeto que trata da exploração de minerais críticos, já aprovado na Câmara, aguarda votação no Senado. Essa pauta também conta com o respaldo do governo e pode ganhar fôlego no próximo esforço concentrado previsto para setembro.
As datas para esses esforços concentrados foram definidas justamente para tentar garantir a votação de temas importantes antes do Congresso se esvaziar para a temporada eleitoral, quando parlamentares se dedicam às campanhas em suas bases, deixando a agenda legislativa congelada.
Congresso entre pressões e acordos
O retorno do Congresso não promete tranquilidade. A combinação de temas sensíveis, disputas internas e o calendário eleitoral impõe um ritmo acelerado, mas repleto de obstáculos. A postura dos líderes na reunião de terça-feira será decisiva para a definição dos caminhos, com a possibilidade de embates e recuos.
Governo aposta em trégua para destravar pautas
O governo federal monitora de perto a relação entre Lula e Alcolumbre, apostando numa trégua para destravar pautas emperradas no Senado, como a escala 6×1 e a PEC da Segurança Pública, que têm impacto direto na base política do Planalto.
Prazos apertados e agenda cheia
Com a proximidade das eleições, o Congresso sabe que o tempo é curto. O esforço concentrado é a última chance para aprovar projetos que podem influenciar a corrida eleitoral e definir posições políticas estratégicas para os próximos meses.







