A diretora do Centro de Ética da Terra destaca a importância da justiça ambiental e da inclusão nas decisões climáticas.

Karenna Gore analisa a intersecção entre ética, fé e justiça ambiental na crise climática.
A crise climática representa não apenas um desafio ambiental, mas também um questionamento ético profundo, como observa Karenna Gore, diretora do Centro de Ética da Terra, em sua análise sobre a intersecção entre ética, fé e justiça ambiental. Para Gore, é fundamental que as comunidades estejam na base de qualquer decisão relacionada às negociações climáticas. Neste contexto, a crise climática evoca dilemas que já foram vistos em momentos históricos, como a escravidão.
A importância do Balanço Ético Global
Na COP30, o embaixador André Corrêa do Lago lançou o Balanço Ético Global (BEG), visando coletar visões diversas sobre os compromissos éticos necessários diante da crise climática. A iniciativa, que envolve pensadores, líderes religiosos e comunidades tradicionais, busca estabelecer um pacto ético global. Karenna Gore, ao saber do projeto, prontamente se ofereceu para ajudar e foi convidada a co-liderar o Diálogo da América do Norte.
Justiça ambiental e suas raízes
Gore destaca a participação de Robert Bullard, reconhecido como o “pai da justiça ambiental”, que sublinha que comunidades minoritárias e de baixa renda são desproporcionalmente afetadas por danos ambientais. Bullard, em suas falas, relembra os princípios de justiça ambiental formulados em 1991, enfatizando a necessidade de reconhecer e respeitar as vozes das comunidades afetadas.
A ação não violenta como forma de protesto
Em 2016, Karenna foi presa durante um protesto pacífico contra a construção de um gasoduto em Boston, uma ação que visava chamar a atenção para a expansão da infraestrutura fóssil em um contexto de desastres climáticos. Esta experiência reforçou sua crença de que a ética da Terra deve se basear em um entendimento profundo das relações entre humanos e a natureza.
Diálogos inter-religiosos e a agenda climática
A religião também desempenha um papel crucial na formação de uma resposta à crise climática. Karenna observa que tradições religiosas, quando unidas, podem ampliar a compreensão e a ação sobre questões ambientais. Por exemplo, a encíclica “Laudato Si” do papa Francisco teve um impacto significativo nas discussões sobre o clima, reconhecendo a interconexão entre a espiritualidade e a proteção do planeta.
O papel da ética na crise climática
Gore argumenta que as leis e normas sociais atuais muitas vezes estão em desacordo com a moralidade necessária para enfrentar a crise climática. Ela sugere que a ética da Terra deve incluir grupos historicamente excluídos das decisões, como comunidades marginalizadas e a vida não humana. A crise climática é um reflexo de um conflito fundamental: o sistema econômico atual destrói as bases da vida, exigindo uma redefinição do que consideramos sucesso e progresso.
Conclusão
Karenna Gore conclui que a crise climática não deve ser vista como um evento isolado, mas como parte de um processo contínuo de transformação social e ética. O BEG, segundo ela, atua como um catalisador, influenciando não apenas as negociações climáticas, mas também a conscientização global sobre a interdependência entre todos os seres vivos e a necessidade urgente de ação coletiva.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Governo Federal










