Após retirar peixes e frutos do mar da lista, Ottawa amplia pressão econômica em resposta às tarifas americanas

Canadá substitui tarifas sobre frutos do mar por imposto de 50% sobre cobre e carvão dos EUA, mantendo pressão econômica firme em meio a disputa comercial bilionária.
O Canadá formalizou uma guinada tática em sua retaliacão comercial contra os Estados Unidos ao substituir as tarifas aplicadas a peixes e frutos do mar por uma tarifa de 50% sobre cobre e carvão vegetal importados dos EUA. A confirmação partiu de um representante do Departamento das Finanças canadense, que destacou que a mudança não representa um recuo, mas uma redistribuição do impacto econômico para setores estratégicos da economia americana.
Além do cobre e carvão, recipientes de vidro, imagens impressas e azulejos de gesso também passaram a integrar a lista de produtos onerosamente tarifados. A retirada dos produtos pesqueiros da lista veio após consulta com o setor, porém o governo canadense frisou que manterá a pressão sob o sistema de retaliação “dólar por dólar, tarifa por tarifa”.
Essa movimentação ocorre dias após Ottawa anunciar tarifas entre 15% a 50% sobre mais de US$ 20 bilhões em bens americanos, em resposta ao ‘tarifaço’ imposto pelos EUA. A exclusão dos frutos do mar reduziu o número de produtos americanos afetados de aproximadamente 800 para 629, mas não diminuiu o tom do embate.
A implementação das novas tarifas está marcada para 8 de setembro, enquanto autoridades e empresas dos dois países se preparam para um confronto comercial sem previsão de trégua ou retomada imediata de negociações.
Em meio ao conflito, dados recentes mostram que o Canadá alcançou seu maior superávit trimestral em conta corrente desde 2005 no segundo trimestre, alavancado pelo aumento dos preços de energia e antes do agravamento da disputa comercial com os EUA.
Canadá mantém pressão econômica enquanto ajusta alvos tarifários
A estratégia canadense demonstra uma adaptação pragmática: ao remover os frutos do mar, busca atenuar impactos internos e setoriais específicos, mas compensa com tarifas pesadas em setores que podem pressionar o governo americano com maior eficácia política e econômica.
Essa tática revela o endurecimento da disputa, que se alastra além do comércio bilateral, impactando cadeias produtivas e relações diplomáticas, e expõe um cenário de conflito prolongado sem solução conciliatória à vista.








