Câmara impõe travas fiscais e amplia gasto em subsídios via PLP dos combustíveis


Projeto aprovado endurece controle de despesas obrigatórias, mas acrescenta jabutis que elevam renúncias fiscais

Câmara impõe travas fiscais e amplia gasto em subsídios via PLP dos combustíveis
Deputados aprovam PLP que mistura controle de gasto e ampliação de benefícios fiscais (Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados)

Câmara aprova PLP dos combustíveis com gatilhos para controlar crescimento de despesas obrigatórias, mas incorpora jabutis que ampliam renúncias fiscais e subsídios, colocando em xeque a efetividade da contenção de gastos.

Câmara endurece travas fiscais, mas abre brechas para renúncias e subsídios

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira uma polêmica proposta de lei complementar que, a pretexto de amenizar o choque dos preços do petróleo, acaba misturando travas fiscais com uma série de jabutis que ampliam as despesas e renúncias fiscais. O texto segue agora para o Senado, onde deve ser votado ainda hoje. O pacote incorpora regras que limitam o crescimento das despesas obrigatórias caso o governo apresente déficit primário, um mecanismo visto por especialistas como essencial para conter o descontrole fiscal da gestão Lula.

Gatilhos para travar despesas obrigatórias e impacto no orçamento

De acordo com a nova proposta, se o relatório fiscal indicar déficit primário, o aumento das despesas obrigatórias criadas por lei ordinária será restringido no ano seguinte, respeitando limites entre 0,6% e 2,5% de expansão anual, conforme o arcabouço fiscal vigente. Com déficit previsto de R$ 52 bilhões para 2026, a regra já valeria para o próximo orçamento. Além disso, o projeto exclui as receitas extraordinárias do petróleo do cálculo das despesas obrigatórias com saúde, evitando que o aumento temporário da commodity eleve compulsoriamente os gastos vinculados.

Jabutis e subsídios ameaçam a contenção fiscal

Apesar do discurso de austeridade, o texto aprovado pela relatora Marussa Boldrin (Republicanos-GO) inclui diversas exceções e benefícios que enfraquecem o controle fiscal. Está prevista a concessão de subvenção temporária ao etanol hidratado para não prejudicar a indústria sucroenergética, além de exceções fiscais para minerais críticos, fertilizantes e para a realização da Copa do Mundo Feminina de 2027. Essas medidas excepcionais, ainda que temporárias, ampliam significativamente a renúncia fiscal e os subsídios públicos.

Críticas e riscos à credibilidade fiscal

Fontes ouvidas pela Reuters alertam que, embora os gatilhos sejam importantes para tentar frear o crescimento das despesas obrigatórias, a inclusão dos jabutis e renúncias comprometem a eficácia da proposta e podem gerar pressão futura sobre as contas públicas. A redução do percentual mínimo para empresas consideradas preponderantemente exportadoras, por exemplo, favorece agroindústrias de médio porte com suspensão de tributos, o que também impacta receitas governamentais.

Confronto entre controle e expansão de gastos

O projeto aprovado na Câmara expõe uma contradição clara: ao mesmo tempo em que tenta impor limites para evitar que as despesas obrigatórias fugam ao controle, abre espaço para políticas fiscais expansionistas via benefícios setoriais e subsídios, ampliando riscos no cenário fiscal brasileiro. Agora, o Senado terá a missão de decidir se mantém essa balança desequilibrada ou se promove ajustes para restaurar a coerência fiscal no texto.


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