Petroquímica aceita pagar R$ 1,2 bilhão por afundamento do solo que deslocou 60 mil pessoas em Alagoas

Braskem fecha acordo bilionário para indenizar Alagoas pelos danos causados pela mineração de sal-gema que afundou o solo de Maceió e deixou milhares de pessoas sem suas casas.
A Braskem firmou um acordo bilionário em novembro de 2025 para indenizar o estado de Alagoas pelos danos causados pela mineração de sal-gema em Maceió, responsável pelo afundamento do solo em diversos bairros da capital. A empresa se comprometeu a pagar R$ 1,2 bilhão em parcelas até 2030, como compensação, indenização e ressarcimento integral pelos prejuízos materiais e extrapatrimoniais provocados.
A exploração de sal-gema, iniciada na década de 1970, gerou instabilidade geológica, abalos sísmicos, rachaduras e afundamento contínuo do solo nos bairros Pinheiro, Mutange, Bebedouro, Bom Parto e parte do Farol. Este desastre socioambiental urbano forçou a remoção de mais de 60 mil moradores e comprometeu equipamentos públicos essenciais, como escolas e hospitais.
Estudos realizados em 2023 pelo governo de Alagoas estimaram prejuízos entre R$ 20 bilhões e R$ 30 bilhões, considerando danos ao patrimônio físico, ambientais e morais, além do caos social causado.
Enquanto tenta reparar os danos em Alagoas, a Braskem enfrenta uma grave crise financeira. A empresa protocolou na Justiça de São Paulo um pedido de recuperação extrajudicial, alegando dívida de R$ 56 bilhões. O processo visa negociar com os principais credores, incluindo grandes bancos e investidores, para garantir um ambiente jurídico estável para reestruturação financeira.
A Justiça de São Paulo já suspendeu temporariamente execuções contra a companhia, que busca homologar um plano para lidar com suas obrigações financeiras, principalmente dívidas que somam cerca de US$ 10,9 bilhões.
O caso da Braskem expõe as contradições de uma gigante petroquímica que, enquanto acumula dívidas bilionárias e busca recuperação judicial, precisa responder por um dos maiores desastres socioambientais urbanos do país, com consequências profundas para milhares de brasileiros em Alagoas.
Impactos e desafios
- Indenização de R$ 1,2 bilhão para reparação integral dos danos até 2030
- Deslocamento de mais de 60 mil pessoas devido ao afundamento do solo
- Dano a equipamentos públicos, como escolas e hospitais
- Dívida bilionária de R$ 56 bilhões motivando pedido de recuperação extrajudicial
- Negociação com grandes bancos e investidores para reestruturação financeira
O episódio reforça a necessidade de responsabilidade corporativa rigorosa e fiscalização eficiente para evitar a repetição de tragédias que afetam diretamente a população e o patrimônio público.








