Mudança contábil eleva calotes e encarece empréstimos para micro, pequenas e médias empresas no Brasil

Nova regra do Banco Central obriga bancos a antecipar provisões para perdas esperadas, inflando índices de inadimplência e apertando o crédito para PMEs, já sufocadas por juros altos e gestão deficitária.
Nova regra inflaciona calotes e estrangula crédito a PMEs
A mais recente alteração regulatória imposta pelo Banco Central está asfixiando o crédito destinado a micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) brasileiras. A Resolução CMN nº 4.966, em vigor desde o início de 2025, obriga as instituições financeiras a adotarem o modelo de “perda esperada” para provisionamento, antecipando o reconhecimento dos riscos de inadimplência. Essa mudança elevou a taxa oficial de calotes dessas empresas para 5,71% em junho de 2026, contra meros 0,66% das grandes companhias, segundo estudo exclusivo da Safegold.
Calote real ou contábil? A conta pesa nas PMEs
Embora o cenário econômico duro explique parte da alta, o BC admite que 70% do aumento da inadimplência no sistema financeiro decorre dessa alteração contábil, que obriga bancos a contabilizar potenciais riscos à saúde financeira das PMEs antes mesmo do atraso efetivo. Consequentemente, os bancos elevam os spreads – a margem entre o custo de captação e o que cobram dos tomadores – para cobrir riscos que, antes, eram invisíveis até o atraso. O resultado é um crédito mais caro e mais difícil para os empresários que menos têm garantias.
PMEs pagam o preço da falta de profissionalização
Além do endurecimento regulatório, a fragilidade das PMEs é agravada pelo baixo conhecimento financeiro. Pesquisa da Safegold aponta que mais de 63% das empresas não sabem a taxa real de juros que pagam, enquanto 75% desconhecem seus próprios números financeiros – uma receita para inadimplência e dificuldades de gestão. A falta de precificação correta e o uso inadequado dos créditos para capital de giro, como investimento em máquinas, drenam recursos vitais para a operação.
Mercado secundário cresce e traz novo ciclo de cobranças
Para mitigar riscos, bancos estão vendendo carteiras de créditos problemáticos a fundos de investimento e securitizadoras, transferindo a dívida para esses agentes que aplicam descontos e promovem cobranças agressivas. Estima-se que R$ 52,3 bilhões em dívidas possam ser negociadas neste ano, um movimento que não alivia as PMEs, mas transfere a pressão para outros bolsos.
Perspectiva sombria para as PMEs no horizonte econômico
Com a taxa Selic mantida em patamar elevado de 14% ao ano e a reforma tributária complicando ainda mais o fluxo de caixa, especialmente com o split payment drenando capital de giro, as PMEs enfrentam previsões sombrias. Silvia Wilbert, diretora da Safegold, alerta para aumento de recuperações judiciais, inadimplência crescente e fechamento de empresas médias alavancadas, refletindo um ciclo vicioso de restrição creditícia e fragilidade financeira. O aperto regulatório do Banco Central, embora justificável para a solidez do sistema, acaba agravando a situação das empresas que são o motor da economia brasileira.








