Arqueólogos e indígenas mapeiam civilizações antigas na Amazônia com tecnologia


Parceria entre kuikuros e cientistas revela cidades com até 1.500 anos na floresta

Arqueólogos e indígenas mapeiam civilizações antigas na Amazônia com tecnologia
Indígenas e arqueólogos se unem para desvendar civilizações antigas. Foto: Sofia Moutinho

Colaboração entre arqueólogos e kuikuros revela cidades antigas na Amazônia usando tecnologia de ponta.

Arqueologia e tecnologia: uma parceria inovadora na Amazônia

A colaboração entre arqueólogos e o povo kuikuro tem utilizado tecnologia de ponta para mapear civilizações antigas da Amazônia. Recentemente, em Ipatsé, no Território Indígena do Xingu, jovens indígenas como Viola Kuikuro, de 25 anos, têm sido treinados para pilotar drones e usar equipamentos avançados como o Lidar, que emitem pulsos de laser para escanear a superfície do solo. Essa abordagem moderna permite a identificação de estruturas arqueológicas que, de outra forma, permaneceriam ocultas sob a densa vegetação.

Descobertas significativas com a tecnologia Lidar

Desde o início da parceria, mais de 20 cidades com até 1.500 anos foram mapeadas em uma área equivalente a 1.200 km². Helena Lima, arqueóloga do Museu Emílio Goeldi, enfatiza que a história dos kuikuros e de outras civilizações indígenas é vital para entender a ocupação da Amazônia. Ela destaca que a pesquisa não se trata apenas de escavar, mas de ouvir os anciãos e utilizar suas narrativas para guiar os estudos.

O impacto da colaboração na preservação cultural

A pesquisa, que conta com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), visa integrar a ciência com o conhecimento tradicional indígena, buscando compreender a interação entre os povos originários e a floresta ao longo da história. Os kuikuros têm um papel ativo na decisão de onde e o que mapear, garantindo que suas histórias e tradições sejam respeitadas. Sepé Kuikuro, um líder local, afirma que ainda há muitos lugares para estudar, revelando a riqueza cultural que a região abriga.

Mudança de paradigmas na compreensão da Amazônia

A visão tradicional de que a Amazônia não poderia sustentar grandes sociedades sedentárias tem sido desafiada por essas descobertas. O trabalho de arqueólogos como Michael Heckenberger tem mostrado que os ancestrais dos kuikuros viveram em cidades complexas muito antes da chegada dos europeus. Essas cidades, que abrigavam até 50 mil pessoas, apresentavam arquitetura avançada, com praças e estradas interconectadas, muito além do que se imaginava.

A luta pela preservação e reconhecimento

Os kuikuros não veem a arqueologia apenas como uma ferramenta de pesquisa, mas como uma forma de reivindicar seus direitos territoriais. Com o suporte das descobertas arqueológicas, eles buscam garantir que sua presença e história sejam reconhecidas. O cacique Afukaká Kuikuro ressalta que a pesquisa ajuda a validar a história de seu povo diante do mundo exterior. A arqueóloga Helena Lima reforça que a colaboração é essencial para a manutenção da floresta e do modo de vida indígena, uma vez que as leis brasileiras protegem os sítios arqueológicos.

Formação e empoderamento dos kuikuros

Com a crescente participação dos kuikuros na pesquisa, há um movimento para que eles busquem formação acadêmica. Viola, por exemplo, foi contemplado com uma bolsa para estudar arqueologia indígena. Essa nova geração de kuikuros está se preparando para assumir papéis de liderança na pesquisa, garantindo que suas histórias e conhecimentos sejam preservados e respeitados, moldando assim o futuro da arqueologia na Amazônia.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Sofia Moutinho


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