Reflexões sobre a necessidade de um consenso para o desenvolvimento sustentável

A falta de consensos no Brasil dificulta o crescimento sustentável, enquanto a Europa busca soluções claras.
A urgência do crescimento é uma questão que permeia não apenas o debate econômico, mas também as perspectivas de futuro para países como o Brasil e na Europa. Recentemente, a economia europeia tem se esforçado para encontrar respostas para o crescimento sustentável, com iniciativas que buscam um consenso entre os países membros da União Europeia. O Brasil, por outro lado, enfrenta a dificuldade de construir um diálogo produtivo sobre o mesmo tema, o que limita suas potencialidades.
A Europa discute, a partir de estudos como o relatório Draghi e pesquisas da London School of Economics, a necessidade de medidas que garantam um crescimento duradouro. Sem essa evolução, torna-se inviável financiar a transição energética e lidar com o envelhecimento populacional, aspectos vitais para a autonomia do continente. A discussão gira em torno de pilares como produtividade, inovação e integração de padrões industriais.
Enquanto isso, o Brasil permanece preso a um ciclo de debates superficiais. Desde o Consenso de Washington, o país carece de um conjunto de prioridades que guiem suas políticas econômicas. A falta de um diagnóstico claro e um compromisso da sociedade em torno do crescimento sustentável são obstáculos que precisam ser superados. O desafio é engajar todos os setores da sociedade em uma agenda que vise a melhoria do bem-estar social e a modernização econômica.
A produtividade no Brasil está estagnada e, de acordo com a OCDE, o crescimento potencial do país tem diminuído desde 2010. Isso se deve a limitações em áreas essenciais como tecnologia e educação, além de uma taxa de investimento que gira em torno de 18% do PIB, considerada insuficiente para uma modernização mais profunda. O ambiente de negócios no Brasil é caracterizado por incertezas, que se manifestam em burocracia excessiva e litígios, dificultando a inovação e a aprendizagem.
Por outro lado, o Brasil possui oportunidades reais de crescimento, como energia limpa e um agronegócio eficiente. Além disso, a infraestrutura digital do país é uma das mais avançadas do mundo, com inovações como o Pix e o Cadastro Único, que podem reduzir custos administrativos e melhorar a qualidade dos serviços públicos. A digitalização é um fator chave que pode transformar a gestão pública e contribuir significativamente para a eficiência do Estado.
Entretanto, o que falta ao Brasil não são diagnósticos, mas sim um consenso sobre os objetivos nacionais. Um movimento que una diferentes setores da sociedade em torno de metas claras é fundamental. Para isso, é necessário estabelecer prioridades como aumentar a previsibilidade no ambiente de negócios, simplificar regulações e modernizar o Estado.
O crescimento sustentável não é fruto de iniciativas isoladas, mas de um projeto coletivo que deve engajar trabalhadores, empresas, acadêmicos e governos. A história mostra que países que superaram desafios econômicos fizeram isso com clareza de prioridades e compromissos duradouros. O Brasil precisa urgentemente construir esse consenso, ou continuará alternando entre pequenos avanços e retrocessos significativos.
Portanto, é essencial que se estabeleça uma agenda institucional robusta, que reduza a incerteza e reconecte o país ao futuro. Para isso, é preciso ter um senso de urgência, pois o crescimento exige escolhas e a construção de consensos que avancem na direção de um futuro mais próspero.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Ana Paula Vescovi










