Peça explora a busca por validação e a integridade artística na vida de uma atriz

A peça 'A Palma' aborda a crise de uma atriz em busca de validação, refletindo angústias da arte contemporânea.
A Palma: uma reflexão sobre a artista e sua crise
A peça ‘A Palma’, encenada pela Mundana Companhia, explora a vida de uma atriz em crise, refletindo angústias contemporâneas da arte. Com Gilda Nomacce no papel principal, a história se desenrola em um cenário que mescla a realidade e a ficção, apresentando a tensão entre a integridade artística e a busca incessante por validação.
Metalinguagem e o cenário do espetáculo
Situada em um apartamento que se transforma em palco, a trama reúne três amigos atores que discutem a linha tênue entre lucidez e delírio. O projeto tem sua gênese em um argumento do ator Mariano Mattos Martins, que assume sua primeira direção teatral. A dramaturgia foi elaborada em colaboração com Claudia Barral e Marcos Barbosa, resultando em um espetáculo profundamente metalinguístico que aborda o adoecimento psíquico do artista.
A gênese da personagem Vânia Souto
A personagem Vânia Souto, vivida por Gilda, é uma atriz que se vê em meio a uma crise existencial e profissional. A escolha de Gilda para o papel é significativa, já que sua formação rigorosa e carreira sólida refletem a complexidade da personagem. A atriz se identifica com Vânia, expressando suas aspirações e humilhações em busca de reconhecimento no mundo artístico.
O dilema da fama na vida da artista
Gilda compartilha suas experiências, revelando um episódio recente em que sentiu a efemeridade da fama. “Tive uma semana de muito fama, todo mundo atrás de mim, e eu pensei: tive a chance de não morrer sem ser famosa”, diz a atriz. No entanto, a realidade do ofício a fez compreender que essa validação é passageira e muitas vezes dolorosa.
A tensão entre reconhecimento e integridade
O título da peça, ‘A Palma’, faz referência irônica ao prestigiado prêmio Palma de Ouro do Festival de Cannes, transformando-se em um símbolo de ansiedade e pressão. Verónica Valenttino, que interpreta Marta, amiga de Vânia, ressalta a crítica à busca por validação em um mundo que constantemente exige reconhecimento.
O coletivo como tábua de salvação
Nessa jornada, a figura do coletivo se torna um elemento central. Vânia é apoiada por seus amigos Marta e Sérgio, interpretado por Donizeti Mazonas, mostrando que a solidariedade e o afeto são fundamentais na vida artística. “Quando a gente está de bonde, a gente respira melhor”, reflete Verónica, destacando a importância da união no teatro.
O teatro como espaço sagrado
A estrutura da peça é marcada por uma narrativa de ‘teatro dentro do teatro’, explorando memórias, ensaios e confissões. Mariano define essa abordagem como uma forma de navegar pelo universo artístico, onde a loucura e a criatividade se entrelaçam. Apesar de abordar temas pesados, ‘A Palma’ é também uma celebração do sonho e do espaço sagrado que o teatro representa.
Informações sobre a apresentação
A peça é apresentada às sextas e sábados, às 20h, e nos domingos, às 18h, no Instituto Capobianco, em São Paulo, com recesso entre 22 de dezembro de 2025 e 15 de janeiro de 2026. Os ingressos têm preços a partir de R$ 15 (meia-entrada) e a classificação é para maiores de 16 anos. A obra é uma parceria de Claudia Barral e Marcos Barbosa, com direção de Mariano Mattos Martins e um elenco de destaque.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Renato Mangolin/Divulgação










