Mensagens indicam recrutamento de refugiadas e organização de eventos em diversas cidades do mundo

Ex-banqueiro Daniel Vorcaro é alvo de inquérito da Polícia Federal que investiga sua participação em rede internacional de prostituição com recrutamento de mulheres estrangeiras, incluindo refugiadas ucranianas.
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master, é investigado pela Polícia Federal (PF) por suposta participação em rede internacional de prostituição. Conforme informações obtidas pelo portal UOL, mensagens trocadas entre 2023 e 2025 indicam que Vorcaro teria estruturado e financiado o esquema, que incluía o recrutamento de mulheres estrangeiras, entre elas refugiadas da Ucrânia.
Investigação e evidências
A PF instaurou inquérito para apurar a participação de mulheres estrangeiras na rede e possíveis irregularidades nas contratações. As mensagens revelam discussões sobre seleção e manutenção das mulheres no grupo, negociação de valores e planos para criação de uma agência de modelos que centralizaria as contratações. Entre as nacionalidades mencionadas estão russas, ucranianas, venezuelanas, argentinas e polonesas.
Organização e eventos internacionais
Leonardo Serrano, dono de empresa de eventos, e Diogo Batista, promotor de eventos em São Paulo, são também investigados. As conversas indicam que as mulheres eram distribuídas conforme o tipo de evento, com viagens programadas para São Paulo, Londres, Paris, Roma e Dubai. Em abril de 2024, 99 mulheres foram contratadas para um evento em Londres. Faturas identificadas somam aproximadamente US$ 70 milhões entre abril de 2024 e março de 2025.
Recrutamento de refugiadas
Uma jovem ucraniana de 19 anos, refugiada da guerra, foi recrutada em outubro de 2023. A partir de novembro, Vorcaro teria informado que não arcaria mais com hospedagem e passagens para as mulheres que optassem por permanecer no Brasil. Conversas indicam a intenção de colocá-las em uma agência para formalizar contratações.
Participação em agência de modelos
Vorcaro negociou a compra de 50% da agência Allure Eventos, de Felipe Nisti Cataldo, por R$ 1,5 milhão. A investigação apura se a agência foi utilizada para operacionalizar as contratações das modelos.
Defesa
Vorcaro negou envolvimento em exploração ou desrespeito às mulheres e contestou a autenticidade e contexto de várias mensagens publicadas. Ele declarou que as mensagens foram obtidas ilicitamente e que tomará medidas legais para responsabilização civil e criminal.
A Polícia Federal segue com os depoimentos para aprofundar a investigação. As defesas de Leonardo Serrano e Diogo Batista ainda não foram localizadas.










