Reunião debate concurso público, jornada, atendimento em desastres e direitos do autista
A Frente Parlamentar da Psicologia da ALEP cobrou concurso público, jornada de 30 horas e ampliação do atendimento no SUS, além de criticar contratações temporárias e cobrar direitos para autistas.
A Frente Parlamentar da Psicologia da Assembleia Legislativa do Paraná promoveu, no dia 11 de junho, reunião ordinária para debater pautas cruciais à categoria e à saúde mental pública. O encontro, liderado pelo deputado Requião Filho (PDT), focou na valorização profissional dos psicólogos, especialmente pela necessidade urgente de concurso público para ampliação do quadro no SUS e SUAS, além do fortalecimento da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS).
Pressão por concurso público e jornada de trabalho
A deputação e representantes do Conselho Regional de Psicologia (CRP-PR) criticaram o modelo vigente de contratações temporárias, que enfraquece o vínculo dos profissionais com os serviços públicos. Marina Pires Alves Machado lembrou o caso emblemático do CAPS em Rio Bonito do Iguaçu, que permanece sem psicólogo por falta de concurso vigente. A presidente da Comissão dos Direitos Humanos do CRP-PR, Semiramis Vedovato, defendeu um diagnóstico rigoroso das necessidades e a adoção massiva de concursos para sanar a carência de profissionais.
Também foi reforçado o apoio à jornada de 30 horas semanais para psicólogos, seguindo exemplo de outras categorias de saúde. Denize Senzi, psicóloga, enfatizou a necessidade de legislações que protejam a atuação da profissão e garantam direitos trabalhistas adequados.
Direitos dos autistas e ampliação do atendimento
A psicóloga Adriana Czelusniak denunciou a negação de direitos constitucionais a pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no Estado, incluindo dificuldades na emissão de laudos, isenção de IPVA e benefícios relacionados a concursos públicos e acessibilidade. O grupo se comprometeu a oficiar órgãos competentes e promover reuniões técnicas para corrigir essas distorções.
Psicologia em desastres: atuação e cuidados com o voluntariado
Outro ponto crítico foi a atuação dos psicólogos em emergências e desastres naturais. Marly Perreli, presidente do Sindicato dos Psicólogos, alertou para a necessidade de organizar um sistema estadual que articule voluntários e profissionais locais, evitando a presença de “turistas do desastre” — pessoas que não contribuem efetivamente e apenas exploram a tragédia para exposição.
Embate político e desafios da psicologia pública
O encontro expôs as contradições entre avanços legislativos e a realidade prática da psicologia no Paraná. Embora haja reconhecimento formal e projetos em andamento, a falta de concurso e valorização efetiva mantém a categoria em situação precária, enquanto os casos de doenças mentais crescem. A pressão da Frente Parlamentar da Psicologia surge como resposta política direta para enfrentar esse quadro e exigir do Estado respostas concretas à saúde mental pública.
Fonte: assembleia.pr.leg.br






