Na reta final, Executivo pressiona Congresso para votar medida que suspende cobrança polêmica antes das eleições

Com prazo apertado, governo Lula tenta acelerar votação da MP que acaba com a "taxa das blusinhas", medida que prejudicou sua popularidade. Congresso enfrenta pressão e falta comissão especial para análise da matéria.
O governo Lula, sob pressão para melhorar sua popularidade às vésperas das eleições, escolheu como prioridade a aprovação da Medida Provisória (MP) que acaba com a chamada “taxa das blusinhas” — imposto que incide sobre compras internacionais de até US$ 50 e que provocou rejeição popular significativa. Com o prazo de validade da MP vencendo em menos de 30 dias, a articulação política no Palácio do Planalto busca acelerar sua votação na primeira semana de esforço concentrado do Congresso Nacional, que ocorre entre 10 e 14 de junho.
A “taxa das blusinhas” tornou-se um símbolo do desgaste do governo Lula 3, especialmente depois da decisão de acabar com a isenção para compras internacionais, o que gerou críticas e dor de cabeça eleitoral. Em uma tentativa de amenizar o impacto, o governo editou uma MP em maio para restaurar a isenção, mas depende da aprovação legislativa para evitar que a cobrança volte a valer, cenário que seria um desastre político às vésperas do pleito.
O problema é que, apesar da urgência, ainda não foi criada a comissão especial mista responsável por analisar a MP, etapa crucial para que o texto siga para votação nos plenários da Câmara e do Senado. A ausência desse colegiado indica o ritmo lento e a dificuldade do governo em destravar matérias importantes no Legislativo, que detém o poder de barrar ou aprovar as medidas com impacto direto no eleitorado.
Além da MP da “taxa das blusinhas”, o governo tem na fila outras 30 medidas provisórias pendentes, incluindo pautas sensíveis como renegociação de dívidas, subsídios para combustíveis, ressarcimento de descontos indevidos no INSS e apoio a empresas afetadas por tarifas americanas. A pressão para aprovação dessas MPs é alta, mas o Congresso se mostra dividido e com outras prioridades na agenda.
Nos bastidores, o Planalto aposta em um novo encontro entre o presidente Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para destravar a tramitação da MP polêmica e de outras propostas cruciais para a base governista, como a PEC que visa acabar com a escala 6×1 para policiais. A reunião pode ser decisiva para evitar que o governo sofra mais um revés em sua estratégia eleitoral.
MP urgente para escapar do desgaste eleitoral
A aposta do governo em aprovar a MP que cancela a “taxa das blusinhas” reflete uma leitura clara: conviver com a cobrança seria um tiro no pé eleitoral, reforçando a narrativa de um governo que aumenta impostos sobre o consumidor comum. A proximidade do prazo final para a aprovação fez a medida virar prioridade máxima na retomada do Congresso.
Congresso e a demora que favorece desgaste
A demora em criar a comissão especial para a MP demonstra a dificuldade do governo em comandar a base e garantir apoio no Legislativo. Esse entrave burocrático pode custar caro, já que a não aprovação da MP reativaria o imposto, deixando Lula vulnerável a críticas e desgaste político.
Agenda carregada e estratégia eleitoral
O esforço concentrado do Congresso promete ser uma corrida contra o tempo, com 31 MPs pendentes que impactam setores variados da economia e da sociedade. O governo terá que negociar intensamente para garantir votos, num ambiente político cada vez mais fragmentado e atento às futuras eleições.
Em resumo, a disputa pela aprovação da MP da “taxa das blusinhas” é mais do que um tema fiscal: é um capítulo da luta do governo Lula para conter perdas de popularidade e evitar que decisões impopulares ganhem força no debate público às vésperas das urnas.







