Paraná lidera Ideb pela 3ª vez e desafia críticas ao modelo educacional


Estado alcança o primeiro lugar nas três etapas da educação básica enquanto mantém escolas cívico-militares, cobrança por desempenho e parcerias administrativas criticadas por sindicatos e partidos de esquerda

O Paraná voltou a ocupar o primeiro lugar no ranking nacional do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Os resultados referentes a 2025 colocaram o estado na liderança das três etapas avaliadas e consolidaram a terceira edição consecutiva em que os paranaenses aparecem no topo do indicador nacional.

O desempenho chama atenção também pelo contexto político da educação estadual. Nos últimos anos, o governo paranaense manteve e ampliou políticas que enfrentam resistência de sindicatos e partidos de esquerda, entre elas os colégios cívico-militares, sistemas de avaliação e acompanhamento de resultados e o programa Parceiro da Escola.

Embora o Ideb, isoladamente, não permita atribuir o resultado a uma única dessas medidas, os novos números reforçam o debate sobre o modelo adotado pelo estado.

Paraná lidera nas três etapas da educação

Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o Paraná avançou em todas as etapas entre 2023 e 2025.

Considerando todas as redes, a nota dos anos iniciais do Ensino Fundamental passou de 6,7 para 7,0. Nos anos finais, subiu de 5,5 para 5,9, enquanto o Ensino Médio avançou de 4,9 para 5,1.

Na rede pública, o estado registrou 6,9 nos anos iniciais, 5,8 nos anos finais e 5,1 no Ensino Médio. Os índices representam os maiores resultados do Paraná desde o início da série histórica.

O Paraná ficou em primeiro lugar nacional nas três etapas. No Ensino Médio, foi ainda o único estado a ultrapassar a marca de cinco pontos, segundo os dados divulgados após a apresentação do Ideb 2025.

O Ideb reúne dois componentes principais: o desempenho dos estudantes em português e matemática no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e as taxas de aprovação escolar registradas pelo Censo Escolar.

Modelo cívico-militar avançou mesmo sob críticas

Um dos principais pontos de divergência entre o governo paranaense e setores da esquerda é o programa de colégios cívico-militares.

Enquanto o governo federal encerrou seu programa nacional, o Paraná manteve um modelo estadual e decidiu ampliá-lo. A rede chegou ao planejamento de 345 unidades cívico-militares, com consultas realizadas junto às comunidades escolares. Dados divulgados pela Secretaria da Educação apontaram aprovação de 89,3% entre pais e responsáveis e de 90,4% entre professores e pedagogos pesquisados.

A política, porém, continua sendo contestada.

PT, PSOL e PCdoB recorreram ao Supremo Tribunal Federal contra a legislação paranaense que instituiu o programa, sustentando, entre outros argumentos, que o modelo promove uma militarização inadequada do ambiente escolar.

A APP-Sindicato, principal entidade representativa dos professores da rede estadual, também mantém oposição ao modelo e já apresentou denúncias e críticas relacionadas à presença de militares e à forma de funcionamento dessas escolas.

Parceria com empresas também gera embate

Outra política que divide opiniões é o Parceiro da Escola, programa pelo qual organizações especializadas assumem parte da gestão administrativa e de infraestrutura das unidades participantes.

A parte pedagógica permanece sob responsabilidade do poder público. A proposta, segundo a Secretaria da Educação, é reduzir tarefas administrativas dos gestores escolares e permitir maior concentração na aprendizagem dos estudantes.

Atualmente, 95 escolas integram o programa. Pesquisa de satisfação divulgada pela secretaria aponta que 86,5% dos pais e responsáveis consultados aprovam a iniciativa, enquanto 84,2% afirmaram que recomendariam o modelo.

O programa também enfrenta resistência sindical. A APP-Sindicato classifica a iniciativa como uma forma de privatização ou terceirização da escola pública e questiona a transferência de atividades administrativas para empresas contratadas.

Aprendizagem também avançou

Os resultados do Paraná não ficaram restritos à taxa de aprovação usada no cálculo do Ideb.

O Saeb mostrou avanço no desempenho dos estudantes em português e matemática.

No 9º ano do Ensino Fundamental, por exemplo, a média de português passou de aproximadamente 268 pontos em 2023 para 276 em 2025. Em matemática, avançou de cerca de 269 para 280 pontos.

No Ensino Médio, português passou de aproximadamente 289 para 298 pontos, enquanto matemática avançou de cerca de 284 para 295 pontos.

Os números indicam melhora efetiva na aprendizagem medida pelas avaliações nacionais, além do avanço no fluxo escolar.

Resultado amplia debate sobre gestão da educação

A terceira liderança consecutiva do Paraná no Ideb coloca pressão sobre um debate que frequentemente ultrapassa a sala de aula e chega ao campo político.

De um lado, sindicatos e partidos de esquerda questionam a militarização das escolas, a participação de empresas privadas na gestão administrativa e políticas de cobrança por metas e desempenho.

Do outro, o governo estadual sustenta que avaliações frequentes, acompanhamento dos estudantes, maior cobrança da gestão escolar, tecnologia e mudanças administrativas ajudaram a elevar os resultados.

O Ideb não estabelece uma relação direta de causa e efeito entre uma política específica e o desempenho de uma rede. Ainda assim, o fato objetivo permanece: enquanto parte das principais medidas adotadas pelo Paraná continua sendo alvo de contestação política e sindical, o estado chegou a 2025 liderando o principal indicador nacional da educação básica nas três etapas avaliadas — pela terceira edição consecutiva.

Fonte: https://www.gazetadopovo.com.br/educacao/estado-tricampeao-do-ideb-ignora-a-cartilha-da-esquerda-e-dos-sindicalistas/


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