Presidente do PSD aposta em Ronaldo Caiado para derrotar Lula e critica tarifaço dos Bolsonaro

Gilberto Kassab admite problemas na campanha de Flávio Bolsonaro, mas descarta saída do senador da corrida presidencial. O presidente do PSD destaca Ronaldo Caiado como alternativa para vencer Lula e critica tarifaço promovido pela família Bolsonaro.
Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, fez um retrato claro e direto da confusão que ronda a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência. Em entrevista ao GLOBO, Kassab admitiu que o senador enfrenta problemas políticos e pessoais — citando a crise familiar envolvendo Michelle Bolsonaro — mas garantiu que não vê o filho do ex-presidente fora da disputa. “Os números na pesquisa dele são bons, por que ele vai deixar?”, questionou.
PSD aposta em Ronaldo Caiado como voz da direita moderada
Kassab destacou que o PSD resistiu às pressões tanto do bolsonarismo quanto do petismo, optando por uma chapa própria com Ronaldo Caiado na cabeça. Para ele, o governador de Goiás representa uma direita moderada, com experiência e diálogo, capaz de derrotar Lula no segundo turno. “Se for Flávio contra Lula, o Lula ganha. Se for o Caiado contra Lula, o Caiado ganha”, afirmou, ressaltando a alta rejeição de Flávio, em torno de 51%.
PSD rejeita cobranças internas e mantém independência nas eleições
Sobre alinhamentos regionais, Kassab rejeitou a ideia de punir candidatos do PSD que não apoiarem Caiado para presidente. Ele minimizou a importância do palanque estadual para a eleição presidencial, ressaltando que as redes sociais permitem comunicação direta com o eleitor. Ainda citou a situação no Rio de Janeiro, onde Eduardo Paes aparece em palanques variados, inclusive nos dos adversários nacionais.
Críticas duras à família Bolsonaro e defesa do fim das emendas
O presidente do PSD não poupou críticas à família Bolsonaro, especialmente pela postura no tarifaço recente. Kassab condenou a influência de Eduardo Bolsonaro na aprovação do aumento de tarifas e a tentativa de Flávio de se alinhar depois, pouco convincentemente. “Prejudicou a imagem da família Bolsonaro”, avaliou.
Além disso, destacou sua posição radical contra o modelo atual das emendas parlamentares, que consome cerca de R$ 61 bilhões por ano, e defendeu a necessidade de um novo formato, mais transparente e alinhado aos orçamentos executivos.
Bastidores em São Paulo e visão sobre a escala 6×1
No estado de São Paulo, Kassab revelou o rompimento com o vice-governador Felício Ramuth, afastado do PSD por falta de correção com o partido, mas garantiu continuidade do apoio ao governador Tarcísio de Freitas. Também se posicionou a favor do fim da escala 6×1 no serviço público, pedindo cautela para evitar impactos negativos, mas reforçando que a questão precisa ser debatida com seriedade.
Kassab termina a entrevista reforçando que o PSD seguirá firme em suas convicções, apostando em Ronaldo Caiado para apresentar uma alternativa viável à polarização entre Lula e Bolsonaro, enquanto observa os desdobramentos da campanha bolsonarista com atenção crítica.








