Presidente da Câmara critica vídeo de Lula favorecendo Veneziano e cobra valorização política

Hugo Motta reclama da postura de Lula na disputa para o Senado na Paraíba, após presidente apoiar adversário do pai de Motta. Apesar da chateação, evita confronto direto e mantém diálogo com Planalto.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), não esconde o desgaste político com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após o petista divulgar vídeo público declarando apoio ao senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB), adversário do pai de Motta, Nabor Wanderley (Republicanos), na disputa ao Senado pela Paraíba. O gesto, feito ainda antes do início oficial do processo eleitoral, gerou forte incômodo e é visto por Motta como uma demonstração de desrespeito e descuido político do Planalto.
Desgaste na relação Planalto-Câmara
Aliados próximos do presidente da Câmara revelam que, embora esperassem o apoio de Lula a Veneziano pela proximidade histórica entre ambos, Motta foi surpreendido pela divulgação do vídeo, que não contou com aviso prévio, prejudicando o diálogo e o alinhamento político. O parlamentar classificou a ação como um ato de “desespero” do adversário, que tenta se segurar no prestígio do presidente Lula diante da ascensão política da família Motta na Paraíba.
Equilíbrio entre apoio e crítica
Apesar da chateação, Motta mantém uma postura de equilíbrio, sem demonstrar disposição para romper com o Executivo, e segue atuando para destravar pautas de interesse do governo no Congresso, como a renegociação das dívidas rurais e a PEC que acaba com a jornada de trabalho 6×1, prioridade do presidente da República. No entanto, cobra maior reconhecimento político e atenção do Palácio do Planalto, especialmente diante da demora nas indicações para cargos federais e vagas no Judiciário, incluindo divergência pública na indicação para o Tribunal Superior do Trabalho.
Contexto de atritos e alianças
O desgaste com Motta ocorre em paralelo ao distanciamento entre Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), após rejeição histórica da indicação de Jorge Messias ao STF. Nesse cenário, o Planalto aposta na relação com Motta para avançar sua agenda legislativa, mesmo diante das tensões eleitorais na Paraíba e pressões internas. Políticos próximos afirmam que, apesar da rivalidade regional, Lula ainda considera Motta e seu pai aliados e planeja valorizá-los durante a campanha eleitoral.
Jogos políticos e consequências eleitorais
O episódio expõe contradições no alinhamento político entre o Planalto e aliados regionais, evidenciando os riscos de desgaste interno em meio a uma campanha eleitoral acirrada. Motta representa um aliado estratégico para Lula no Congresso, mas cobra respeito e reconhecimento que reflitam sua contribuição para a governabilidade, especialmente frente à oposição crescente e às complexas negociações no Legislativo. O episódio promete mexer com as articulações políticas na Paraíba e repercutir nas costuras eleitorais nacionais.









