Ministro critica presidente do Senado por deixar proposta parada e responsabiliza oposição e empresários por ataques à pauta

Guilherme Boulos acusa Davi Alcolumbre de deixar parada a PEC que acaba com a escala 6×1, denuncia pressão empresarial e oposição, e alerta para reação popular contra o Senado.
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, não poupou críticas ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), por deixar parada a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escalada exaustiva de trabalho 6×1 adotada por agentes comunitários de saúde e combate a endemias. Em entrevista ao programa Bom dia, Ministro, nesta terça-feira (30), Boulos afirmou que Alcolumbre “está errando e errando feio” ao deixar a pauta engavetada sem nenhuma justificativa válida.
Alcolumbre na mira
Boulos usou uma analogia futebolística para ilustrar o momento: “está tendo muita catimba” no Senado, mas “Alcolumbre precisa lembrar que tem contra-ataque”. O ministro deixou claro que não há motivos políticos ou técnicos para a paralisação da PEC que interessa ao povo brasileiro e que a postergação só alimenta a insatisfação popular. “A sociedade é quem vai dizer qual vai ser esse contra-ataque”, ameaçou, sugerindo que a pressão pública será o motor para destravar o impasse.
Ataques à oposição e ao setor empresarial
Além das críticas ao presidente do Senado, Boulos não poupou a oposição e o setor empresarial que tentam deslegitimar a pauta do fim da escala 6×1. Ele classificou a PEC alternativa apresentada pela oposição, conhecida como “PEC da hora trabalhada”, como a “farsa” que representa o fim dos direitos trabalhistas, a redução salarial e a precarização do trabalho. Para ele, a proposta é um “tapa na cara do povo”.
Também comentou ironicamente a postura do senador Flávio Bolsonaro, que apoia essa PEC alternativa mas tem alto índice de faltas nas sessões do Senado, dizendo que ele não conseguiria pagar suas despesas se a proposta fosse aplicada.
Boulos denunciou ainda a atuação descarada do setor empresarial contra a PEC do fim da escala 6×1, mencionando críticas do presidente da Fecomercio-SP que chegou a sugerir que beneficiários de programas sociais não deveriam votar, um ataque explícito que revela o embate ideológico por trás da pauta trabalhista.
Crise e desgaste político
A situação expõe o desgaste do Senado diante de uma pauta que mobiliza a sociedade, mas enfrenta resistências internas e pressões externas. Alcolumbre, enquanto figura central, se vê no epicentro de uma crise que pode desencadear reação popular e afetar a imagem da Casa. O governo federal, por sua vez, aposta na pressão social para destravar a votação e garantir o fim da escala 6×1, considerada exaustiva e injusta por trabalhadores e segmentos da sociedade.
O que está em jogo
A PEC do fim da escala 6×1 visa proteger a saúde e os direitos dos agentes comunitários, um grupo essencial na política de saúde pública, mas que sofre com jornadas desgastantes. O impasse no Senado, alimentado por interesses políticos e econômicos, revela o conflito entre avanço social e conservadorismo corporativo.
Nesta disputa, o ministro Boulos tomou postura franca e incisiva, colocando o Senado sob pressão e anunciando que a sociedade não vai aceitar passivamente a manutenção dessa escala abusiva. O cenário político em Brasília, portanto, permanece tenso e carregado de desafios para a aprovação da PEC.










