Pré-candidato à presidência acusa o governo Lula de prejudicar pequenas confecções ao revogar imposto sobre importação

Ronaldo Caiado considera 'movimento criminoso' a retirada da taxa das blusinhas por Lula, destacando prejuízo às pequenas confecções.
Ronaldo Caiado qualifica retirada da taxa das blusinhas como movimento criminoso
Em Brasília, no dia 13 de fevereiro de 2026, Ronaldo Caiado, ex-governador de Goiás e pré-candidato à presidência pelo PSD, criticou a recente decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de eliminar a taxa de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, popularmente chamada de “taxa das blusinhas”. Caiado classificou esse ato como um “movimento criminoso”, ressaltando que o tributo havia sido aprovado e sancionado pelo próprio governo Lula em junho de 2024. Para o político, a revogação da taxação a cinco meses da eleição compromete a estabilidade do setor produtivo nacional, especialmente as pequenas confecções.
Consequências da medida para pequenas confecções e economia regional
A eliminação do imposto sobre produtos importados tem um impacto duro segundo Caiado, que destaca que o setor de confecções no interior do Brasil, onde muitas cidades dependem da comercialização desses produtos, sofre diretamente com a medida. Ele argumenta que o governo, ao incentivar investimentos no setor com a imposição da taxa, induziu empresários a apostar no mercado nacional, mas agora, ao revogar a tributação, deixa esses empreendedores vulneráveis. O ex-governador enfatiza que muitas dessas pequenas empresas estão endividadas e podem enfrentar dificuldades agravadas pela concorrência mais barata do exterior.
Impactos eleitorais e riscos para o mercado brasileiro
Para Ronaldo Caiado, a retirada da taxa faz parte de uma estratégia eleitoral do governo Lula, que favorece a popularidade ao reduzir custos para o consumidor com produtos importados, ao custo de dano a setores produtivos nacionais. A longo prazo, ele prevê a migração de empresas brasileiras para países como Paraguai, em busca de melhores condições para operar, criando uma concorrência desleal e predatória em relação à China, que não possui legislações trabalhistas e tributárias similares. Essa dinâmica, segundo ele, pode causar perda de empregos e enfraquecimento da indústria têxtil nacional.
Reações de entidades do setor têxtil e industrial
A decisão de revogar a “taxa das blusinhas” também gerou repúdio por parte de entidades representativas. A Associação Brasileira do Varejo Têxtil (ABVTEX) manifestou veemente desaprovação e pediu compensações urgentes para o setor. Paralelamente, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) expressou que a medida prejudica diretamente quem fabrica e comercializa produtos no Brasil, reforçando a percepção de que a revogação pode desestimular a indústria nacional e impactar a geração de empregos.
Contexto político e análise das medidas tributárias recentes
A medida provisória que revogou a taxa foi publicada em 12 de fevereiro de 2026, pouco antes das eleições, causando debates sobre o timing e os efeitos políticos. A decisão ocorreu após quase dois anos da vigência da tributação, que havia sido motivada por pressão do varejo nacional. A reversão desse imposto reflete um dilema entre estimular o consumo com produtos importados mais baratos e proteger a indústria local. O debate expõe tensões na política econômica e seu impacto no setor produtivo e social brasileiro.
Perspectivas para o setor têxtil nacional diante da isenção tributária
Com a retirada da taxa, o mercado têxtil enfrenta o desafio de se adaptar a uma concorrência internacional ampliada, especialmente com países que operam com custos reduzidos e ausência de regulamentações trabalhistas rigorosas. O futuro do setor dependerá de políticas públicas que possam equilibrar proteção industrial e incentivo à competitividade, além de buscar alternativas para evitar a desindustrialização e preservar empregos em áreas tradicionais de confecção no interior do país.










