Lula delega promulgação da lei da dosimetria a Davi Alcolumbre


Presidente viaja aos EUA e deixa presidente do Senado com a tarefa de formalizar nova norma que reduz penas em crimes contra o Estado Democrático de Direito

Lula delega promulgação da lei da dosimetria a Davi Alcolumbre
Presidente do Senado, Davi Alcolumbre, responsável pela promulgação da lei da dosimetria. Foto: Ricardo Stuckert / PR

Lula deixa promulgação da lei da dosimetria para presidente do Senado, que tem 48 horas para formalizar a norma que reduz penas em crimes contra o Estado.

Contexto da promulgação da lei da dosimetria pelo Senado

A lei da dosimetria, aprovada recentemente pelo Congresso Nacional, entrou em um momento delicado no Legislativo em 6 de abril de 2026, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva viajou aos Estados Unidos e não promulgou a norma dentro do prazo legal. Com isso, a tarefa passou automaticamente ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que dispensa 48 horas para formalizar a criação da nova lei. Essa legislação tem como objetivo reduzir penas e facilitar a progressão de regime para crimes contra o Estado Democrático de Direito, beneficiando figuras como o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados envolvidos nos atos de janeiro.

O impacto político da rejeição do veto presidencial no Congresso

Na semana anterior, o veto total de Lula à lei da dosimetria foi derrubado em sessão conjunta com ampla maioria: 318 votos a favor contra 144 na Câmara e 49 a 24 no Senado. A negativa do veto mostra a força do Legislativo em contrapor o Executivo em temas delicados, especialmente quando a norma pode alterar a punição para crimes que atingem a estrutura democrática do país. Essa rejeição provocou debates intensos entre governistas e oposição e elevou a tensão sobre as consequências jurídicas e políticas da promulgação da lei.

Repercussões e riscos para a soberania e ordem democrática

Autoridades brasileiras manifestaram preocupações com a possível classificação e flexibilização das penas previstas na lei, que, segundo avaliações, podem representar riscos para a soberania nacional e a segurança institucional. A norma facilita a progressão de regime para crimes graves, o que causa inquietação sobre o fortalecimento de grupos que atentaram contra as instituições democráticas. O cenário indica uma disputa entre mecanismos legais e a preservação da ordem democrática, colocando em evidência o papel do Legislativo e do Judiciário na análise da constitucionalidade da medida.

Procedimento legal e prazos para promulgação da lei da dosimetria

Segundo a Constituição Federal, o presidente da República tem até 48 horas para promulgar uma decisão legislativa após comunicação oficial do Congresso. No caso da lei da dosimetria, o comunicado foi enviado por volta das 19h do dia 4 de abril de 2026, iniciando essa contagem. Como Lula não exerceu a promulgação dentro do prazo, a responsabilidade foi transferida automaticamente para Davi Alcolumbre, presidente do Senado e do Congresso Nacional, que deve formalizar a norma até o prazo final. Caso haja nova omissão, essa função caberá ao vice-presidente do Senado.

Possíveis desdobramentos jurídicos e políticos da promulgação da lei

A base aliada do governo avalia a possibilidade de contestar a constitucionalidade da lei da dosimetria no Supremo Tribunal Federal após sua entrada em vigor. Essa iniciativa poderá gerar um longo embate jurídico envolvendo a interpretação dos limites das leis penais relacionadas a crimes contra o Estado Democrático de Direito. A promulgação por parte do Senado representa um passo decisivo para a aplicação da legislação, mas também abre espaço para recursos judiciais e mobilizações políticas que podem influenciar o futuro das normas penais e da governabilidade no país.


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