Sargento Fahur é alvo de pedido de cassação por Hugo Motta

Presidente da Câmara encaminha denúncia ao Conselho de Ética contra o deputado paranaense, acusado de ameaça em reunião da Comissão de Segurança Pública.

O deputado federal Sargento Fahur (PSD-PR) passou a ser oficialmente investigado pelo Conselho de Ética da Câmara após um pedido enviado pelo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB). A representação, que pode resultar desde uma simples advertência até a cassação do mandato, decorre de declarações feitas por Fahur durante reunião da Comissão de Segurança Pública, em 15 de julho.

sargento fahur
Foto: Paulo Sérgio/Câmara dos Deputados

Na ocasião, o parlamentar mencionou a participação do deputado Pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ) no filme Marighella, no qual o socialista interpreta um padre, e disparou: “Se tiver um filme em que o pastor apanha, eu gostaria de ser o policial que bate”. A fala foi entendida como ameaça de agressão física e motivou a denúncia de quebra de decoro.

A decisão de Motta não atingiu apenas Fahur. Ao todo, 20 representações contra 11 parlamentares foram encaminhadas ao Conselho, em um movimento que marca maior endurecimento contra falas e comportamentos considerados ofensivos ou atentatórios à dignidade parlamentar. Entre os nomes citados estão Eduardo Bolsonaro (PL-SP), André Janones (Avante-MG), Guilherme Boulos (PSOL-SP), Lindbergh Farias (PT-RJ), Kim Kataguiri (União-SP), Célia Xakriabá (PSOL-MG) e outros.

O caso específico de Fahur

Diferente de outras acusações que envolvem discussões sobre ataques em redes sociais ou declarações contra instituições, a situação de Fahur chama atenção por ter ocorrido durante uma sessão oficial da Câmara. O registro da fala consta em ata da reunião da Comissão de Segurança Pública, o que aumenta o peso da denúncia.

O Conselho de Ética deve agora analisar se houve de fato ameaça, além de avaliar se as declarações configuram violação ao decoro parlamentar. As punições possíveis vão desde advertência por escrito até a cassação do mandato — embora, na prática, cassações sejam raras e dependam de votação em plenário.

Defesa e reação do deputado

Em resposta à representação, Fahur tratou o episódio como exagero. Em declarações públicas, minimizou o risco de perder o mandato e disse acreditar que o processo deve terminar apenas em advertência ou até mesmo em arquivamento.

O deputado também acusou o presidente da Câmara de agir de forma “ditatorial” ao impor suspensões temporárias de três a seis meses contra parlamentares que, em sua visão, apenas expressam opiniões contundentes.
“Eu não me vejo um deputado que sobe na tribuna medindo as palavras para não ser suspenso por 3 meses. Um absurdo”, afirmou.

Hugo Motta endurece postura no comando da Câmara

Desde que assumiu a presidência da Câmara, Hugo Motta vem sendo pressionado a adotar medidas mais firmes contra excessos verbais e conflitos entre deputados. A decisão de enviar as representações contra 11 parlamentares em bloco reforça essa imagem de endurecimento.

Entre os alvos estão tanto políticos de esquerda quanto de direita, o que indica, segundo aliados de Motta, um esforço para mostrar imparcialidade no uso do Conselho de Ética como ferramenta disciplinar.

No entanto, críticos apontam que a medida pode elevar ainda mais o clima de polarização dentro do Congresso, onde embates pessoais frequentemente se sobrepõem ao debate sobre projetos e políticas públicas.

Contexto das tensões no Congresso

Os últimos meses foram marcados por uma série de episódios que colocaram parlamentares em rota de colisão.

  • Eduardo Bolsonaro foi acusado pelo PT de buscar sanções internacionais contra o Brasil e de atuar contra o próprio país nos Estados Unidos.

  • André Janones enfrentou diversas denúncias por postagens consideradas ofensivas a colegas e figuras públicas.

  • Guilherme Boulos e Lindbergh Farias foram citados por ofensas a deputados do PL.

  • Delegado Éder Mauro foi acusado de agressão física a um cidadão durante reunião da Comissão de Direitos Humanos.

Esse conjunto de casos explica por que o Conselho de Ética, muitas vezes criticado por inoperância, passou a receber maior volume de representações nos últimos meses.

O que pode acontecer com Fahur

Se o processo avançar, Fahur terá direito à defesa e a um relator designado pelo Conselho de Ética. O relatório, após votação no colegiado, será encaminhado ao plenário da Câmara, onde a decisão final será tomada.

Na prática, a pena mais comum em situações semelhantes é a advertência ou suspensão temporária, já que a cassação depende de maioria absoluta dos deputados e é vista como medida extrema.

Ainda assim, o caso coloca o nome de Fahur em evidência e aumenta a pressão sobre o parlamentar, conhecido pelo discurso duro em defesa da segurança pública e por declarações polêmicas contra adversários políticos.

Repercussão política

O envio da representação contra Fahur repercutiu em grupos políticos da direita, que acusaram o Conselho de Ética de perseguir parlamentares conservadores. Já setores da esquerda defenderam a medida, alegando que a ameaça contra Henrique Vieira ultrapassou os limites do debate democrático.

Nos bastidores, há a expectativa de que o caso sirva como marco disciplinar para frear os embates cada vez mais agressivos dentro da Câmara.

O episódio envolvendo o Sargento Fahur mostra como o ambiente político em Brasília está cada vez mais tenso, com embates pessoais gerando processos disciplinares que podem influenciar a atuação do Parlamento.

Seja qual for o desfecho, o fato é que o nome do deputado paranaense entrará em um processo formal que pode marcar sua carreira política. E o gesto de Hugo Motta, ao assinar pessoalmente a representação, sinaliza que o comando da Câmara não pretende mais tolerar declarações que ultrapassem os limites do regimento interno.

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