Estudo da FGV do Rio revela que mecanismo de busca lista e sugere apps que produzem deepfakes sexuais, ampliando abuso digital

Estudo da FGV do Rio revela que Google indexa sites e indica apps que criam imagens íntimas falsas de mulheres e crianças, ampliando violência digital.
Google indexa sites que criam imagens íntimas falsas de mulheres e crianças
Um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) do Rio de Janeiro revelou que o mecanismo de busca do Google lista e recomenda sites e aplicativos que permitem a criação de imagens íntimas falsas de mulheres e crianças. Essa prática, conhecida como “nudify” ou “deep nude”, utiliza inteligência artificial generativa e técnicas de deepfake para modificar fotos reais, produzindo versões sexualizadas sem consentimento. A pesquisa destaca que essa indexação facilita o acesso massivo a essas tecnologias, aumentando a violência de gênero e o abuso infantil online.
Impacto da indexação na amplificação da violência digital contra mulheres e crianças
A indexação pelo Google desses sites e aplicativos amplia exponencialmente o alcance dessas tecnologias de abuso. Segundo Yasmin Curzi, professora da FGV e coordenadora do estudo, essa prática legitima a existência das plataformas ao tratá-las como conteúdo convencional. A velocidade da disseminação dessas imagens exige uma intervenção urgente por parte do buscador, especialmente diante de medidas já adotadas para combater a distribuição de imagens de abuso sexual infantil e terrorismo. O relatório alerta que as ferramentas de “nudify” são estruturalmente concebidas para a produção de imagens íntimas não consensuais e podem violar legislações brasileiras como a Lei Geral de Proteção de Dados e o Marco Civil da Internet.
Recomendações para desindexação e filtros algorítmicos no Google
O estudo da FGV propõe que o Google desindexe esses sites, seguindo o exemplo de conteúdos com imagens íntimas não consensuais e materiais de abuso infantil. Além disso, recomenda a implementação de filtros algorítmicos para impedir a indexação futura de plataformas semelhantes. A remoção da função de autocompletar para termos relacionados a “nudify”, “undress AI” e “deepnude” também é sugerida para evitar a recomendação automática desses conteúdos sensíveis. Especialistas em direitos digitais, como Luã Cruz do Idec, reforçam a necessidade de filtros e revisão humana para impedir que ferramentas nocivas permaneçam disponíveis ao público.
Crescimento das buscas e a resposta do Google e outras plataformas
O relatório da FGV indica um aumento exponencial nas buscas por termos como “free nudify” e “app nudify” no Brasil em janeiro de 2026, evidenciando o crescimento do interesse ou exposição a essas tecnologias. O Google afirma que possui políticas robustas e ferramentas para remover conteúdos inadequados, incluindo pornografia sintética, e que atualiza seus sistemas para reduzir a visibilidade de sites infratores. Contudo, organizações de defesa do consumidor e dados digitais apontam que as ações precisam ser mais transparentes e eficazes.
Pressões legais e regulatórias para controle de deepfakes sexuais e abuso digital
Além do Brasil, outros países também enfrentam desafios com a disseminação de deepfakes sexuais. Autoridades no Reino Unido e países do Sudeste Asiático investigam e bloqueiam plataformas que facilitam essa prática. No Brasil, a Secretaria Nacional do Consumidor, a Agência Nacional de Proteção de Dados e o Ministério Público Federal emitiram recomendações para a suspensão e controle de contas que geram imagens íntimas não consensuais, especialmente na plataforma Grok do X (antigo Twitter). A falta de evidências concretas sobre as medidas adotadas pela empresa levou à imposição de prazos e multas, reforçando a urgência do combate ao abuso digital e da proteção dos direitos das vítimas.
Este cenário demonstra o papel ambíguo do Google como facilitador involuntário na disseminação de tecnologias que promovem o abuso digital contra mulheres e crianças. A adoção de medidas rigorosas e transparentes é essencial para frear essa escalada de violência online e garantir a segurança e privacidade dos usuários.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Lisi Niesner/Reuters










