Edmundo Villani-Côrtes relembra noites de jazz e boates em São Paulo


O pianista e compositor traz memórias das jam sessions das Folhas e a efervescência musical dos anos 1960 na capital paulista

Edmundo Villani-Côrtes relembra noites de jazz e boates em São Paulo
Edmundo Villani-Côrtes durante entrevista sobre a efervescência musical das jam sessions em São Paulo Foto: Adriano Vizoni/Folhapress — Foto: Adriano Vizoni/Adriano Vizoni/Folhapress

Edmundo Villani-Côrtes relembra as jam sessions das Folhas e a cena das boates de jazz em São Paulo nos anos 1960, destacando a intensa vida musical da época.

Edmundo Villani-Côrtes relembra as jam sessions das Folhas e cenas musicais de São Paulo

Edmundo Villani-Côrtes relembra as intensas noites de jazz e as jam sessions das Folhas na década de 1960, em São Paulo. As apresentações, sempre realizadas nas primeiras segundas-feiras do mês no auditório do jornal, reuniam músicos experientes que eram considerados “donos da praça” na cena musical paulistana. O pianista destaca que esses encontros atraíam um público apaixonado pelo jazz, que vivia seu auge cultural na capital paulista.

Villani-Côrtes relembra como os músicos da época se revezavam tocando em bares, boates, formaturas, bailes e programas de TV e rádio. Entre os nomes de destaque estavam Dick Farney, Eliana Pittman, Rita Lee e o próprio Villani-Côrtes, que conviveu com artistas como Hermeto Pascoal e Bob Fallon. Esse ambiente fervilhante proporcionava um aprendizado contínuo, com músicos buscando inovar e absorver diferentes estilos e acordes, reforçando a riqueza musical da cidade.

A trajetória musical de Edmundo Villani-Côrtes entre orquestras e turnês

Nascido em Juiz de Fora (MG) em 1930, Edmundo Villani-Côrtes iniciou sua formação no Conservatório Brasileiro de Música, no Rio de Janeiro, antes de se consolidar na noite paulistana e atuar em orquestras de rádios e TVs como Gazeta, Bandeirantes e Tupi. Sua capacidade de compor, arranjar e acompanhar diversos artistas consolidou sua reputação.

Durante sua carreira, Villani trabalhou ao lado da cantora Maysa, participando de turnês pela Argentina, onde também selecionava músicos para integrar o elenco. Em 1973, compôs “Cinco Miniaturas Brasileiras”, obra emblemática de sua produção. A dedicação ao estudo o levou a concluir mestrado em composição na UFRJ, decisão que o fez deixar um emprego na banda do programa de televisão Jô Onze e Meia.

A influência do jazz e da música brasileira na cena cultural dos anos 1960

A predominância do jazz nas jam sessions das Folhas refletia o interesse crescente do público e de músicos por esse gênero, que era a música em voga na época. Villani-Côrtes ressalta que o repertório incluía músicas de filmes e musicais que se tornaram standards do jazz, assim como composições brasileiras influenciadas pelo gênero, como as de Antonio Carlos Jobim.

A troca constante de experiências entre músicos, e a busca por aprender novos acordes e estilos, fortalecia a cena musical local. Essa efervescência cultural também se manifestava em locais icônicos como a boate Stardust, inaugurada no início dos anos 1960 na Praça Roosevelt, que promovia jazz, blues e MPB, oferecendo palcos para talentos como Villani-Côrtes, Alan Gordin e Hermeto Pascoal.

A importância das jam sessions das Folhas para a música instrumental paulistana

As jam sessions das Folhas, que tiveram início há 65 anos, foram fundamentais para a consolidação da música instrumental e do jazz em São Paulo. Com auditórios lotados e uma programação vibrante, esses encontros reuniam os maiores talentos da época, criando um ambiente propício para a experimentação musical e a troca artística.

Villani-Côrtes destaca que participar dessas sessões era uma oportunidade valiosa, pois permitia aos músicos se apresentarem diante de um público exigente e se conectarem com colegas respeitados. O registro ao vivo dessas apresentações, como no álbum “Jam-Session das Folhas” lançado em 1961, eternizou momentos cruciais para a história da música brasileira.

A aposentadoria e o legado musical de Edmundo Villani-Côrtes

Embora aposentado das apresentações profissionais, Edmundo Villani-Côrtes mantém viva a música em sua rotina pessoal, tocando para si mesmo e preservando o legado da rica trajetória que marcou o cenário musical brasileiro. Seu trabalho como compositor, professor e arranjador continua a influenciar gerações, evidenciando a importância das experiências vividas nas noites de jazz e boates paulistanas.

Sua história é um testemunho da vitalidade cultural dos anos 1960 e da relevância das jam sessions como espaços de formação, expressão e inovação musical em São Paulo.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Adriano Vizoni/Adriano Vizoni/Folhapress


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