Juiz destaca importância das mulheres na luta por justiça contra a ditadura

Márcio José de Moraes exalta papel feminino em evento que comemora 50 anos da morte de Vladimir Herzog

Juiz destaca importância das mulheres na luta por justiça contra a ditadura
Evento na USP debate condenação da ditadura pelo assassinato de Vladimir Herzog. Foto: Marlene Bergamo/Folhapress

Juiz Márcio José de Moraes exalta papel das mulheres na condenação da ditadura durante evento na USP.

Juiz Márcio José de Moraes destaca papel feminino na luta contra a ditadura

O juiz Márcio José de Moraes, que se destacou ao condenar a ditadura militar pelo assassinato de Vladimir Herzog, exalta o papel das mulheres na busca por justiça. O evento, realizado na manhã desta segunda-feira (10) na Faculdade de Direito da USP, comemorou os 50 anos da morte de Herzog, completados em outubro de 2025, e serviu como um importante ato em defesa da democracia.

Importância da luta feminina e a condenação da ditadura

Durante a discussão, Moraes enfatizou que a condenação da ditadura, ocorrida ainda durante o regime militar, só foi possível graças à coragem de mulheres como Clarice Herzog, viúva do jornalista. Ele também mencionou o caso de Eunice Paiva, que buscou o paradeiro do marido, desaparecido durante a ditadura. Em suas palavras, a voz feminina é a que realmente repercute as dores e as lutas dessa época sombria da história brasileira.

Revisão da Lei da Anistia

A discussão no evento incluiu apelos para que o Supremo Tribunal Federal (STF) revisasse a Lei da Anistia de 1979, que garante perdão a militares envolvidos em crimes durante a ditadura. Moraes questionou a possibilidade de uma corte suprema que não inclua uma perspectiva feminina, especialmente em um momento em que a indicação de mais um homem para o STF está sendo considerada.

Memórias e legados

Os participantes do evento, incluindo o filho de Herzog, Ivo, ressaltaram a importância de lembrar e honrar as vítimas da ditadura. Ivo destacou a coragem de sua mãe, Clarice, que em um momento de dor e perda, decidiu processar o Estado para buscar justiça. O evento também contou com intervenções de juristas, historiadores e jornalistas que reforçaram a necessidade de nunca esquecer os horrores da ditadura e de continuar lutando pela memória e pela verdade.

O papel da mídia na lembrança histórica

A mediadora do debate, Patrícia Campos Mello, jornalista da Folha, sublinhou a importância de eventos que recordem os horrores do regime militar e a necessidade de impedir que o revisionismo histórico ganhe força. Segundo ela, é vital que se mantenha viva a memória do que foi a ditadura, especialmente em um contexto político atual que pode ameaçar a democracia.

Conclusão e chamada à ação

O evento promovido pelo Instituto Vladimir Herzog, em parceria com a OAB e a USP, deixou claro que a luta pela justiça e pela memória das vítimas da ditadura continua. A busca por um Brasil mais justo e democrático passa pelo reconhecimento dos erros do passado e pela valorização da voz feminina nas esferas de poder e decisão. A participação ativa de todas as vozes é fundamental para garantir que tragédias como a da ditadura não se repitam.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Marlene Bergamo/Folhapress