Proposta foi aprovada na CCJ do Senado e segue direto para a Câmara dos Deputados
O senador paranaense Sergio Moro (União Brasil) quer endurecer a legislação penal contra crimes cometidos por organizações ligadas ao tráfico de drogas. Em uma projeto relatado por ele, Moro propôs a criação de um novo tipo penal: o “narcocídio” para punir com mais rigor assassinatos relacionados direta ou indiretamente ao tráfico. A proposta foi aprovada nesta quarta-feira (21) pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal e agora segue para análise da Câmara dos Deputados.

O texto estabelece pena de 20 a 30 anos de prisão para quem praticar homicídio vinculado ao tráfico de drogas. A principal inovação, porém, está no modelo de julgamento. Assim como ocorre com o latrocínio (roubo seguido de morte), os acusados de narcocídio não serão mais levados a julgamento pelo Tribunal do Júri — formado por cidadãos comuns — mas sim por um juiz de primeira instância. A mudança busca proteger os jurados em regiões dominadas por facções e milícias, onde a intimidação e o medo muitas vezes comprometem o andamento dos processos.
A medida altera a Lei de Drogas e insere uma série de dispositivos voltados ao combate direto à violência provocada pelo narcotráfico. Segundo Moro, o Brasil vive um cenário de aumento na letalidade e na sofisticação das ações criminosas, e o ordenamento jurídico precisa ser atualizado para enfrentar esse novo tipo de ameaça.
O projeto é de autoria do senador Jayme Campos (União Brasil-MT), mas ganhou peso político com o relatório apresentado por Moro, ex-juiz da Lava Jato e ex-ministro da Justiça. Com trânsito entre as bancadas da segurança pública, Moro tem buscado construir pontes com o Congresso para avançar em projetos que reforcem a repressão ao crime organizado.
Apesar de ter sido aprovado com apoio da maioria na CCJ, o projeto ainda pode gerar debates na Câmara, sobretudo por mexer nas competências do Tribunal do Júri, que é uma cláusula historicamente sensível no sistema de Justiça brasileiro.
Se aprovado na Câmara, o novo tipo penal entrará em vigor assim que sancionado, consolidando uma mudança significativa no tratamento jurídico de crimes violentos ligados ao tráfico no país.










