Um estudo recente revelou que o Brasil pode expandir significativamente a produção de bioenergia, atendendo à crescente demanda global, sem recorrer ao desmatamento. A pesquisa, intitulada “Biocombustíveis no Brasil: Alinhando Transição Energética e Uso da Terra para um País Carbono Negativo”, demonstra que é possível reduzir drasticamente as emissões de gases de efeito estufa em até 92%. O levantamento foi conduzido pelo Instituto de Energia e Meio Ambiente (Iema), com o apoio do Observatório do Clima, e lançado nesta quarta-feira, 8 de maio.
O estudo destaca que o Brasil possui a capacidade de dobrar a produção e o consumo de biocombustíveis, como etanol, biodiesel e bioquerosene, até 2050. Essa expansão pode ser realizada utilizando apenas um quarto dos 100 milhões de hectares de pastagens degradadas existentes no país. “O grande achado do estudo é que a gente tem cerca de 56 milhões de hectares de pastagens degradadas que podem ser recuperadas para a agricultura”, afirma Felipe Barcellos, pesquisador do Iema.
Segundo Barcellos, dentro desses 56 milhões de hectares, uma área de 20 a 35 milhões poderia ser destinada à produção de biocombustíveis. Essa abordagem garante a segurança alimentar, uma vez que não compete com a produção de alimentos, e simultaneamente contribui para a redução das emissões de carbono.
A pesquisa representa uma continuação de estudos anteriores, como a Proposta de NDC (Contribuições Nacionalmente Determinadas) do Observatório do Clima, apresentada em agosto de 2024. O estudo combinou cenários de energia e uso da terra para avaliar a viabilidade do aumento da produção de biocombustíveis sem aumentar as emissões por desmatamento.
Os pesquisadores enfatizam a necessidade de políticas públicas de incentivo à recuperação de pastagens, tanto para a regeneração da vegetação nativa quanto para o setor produtivo. Além disso, defendem a melhoria do monitoramento das áreas e o rastreamento da cadeia produtiva do biocombustível. O setor privado também tem um papel fundamental a desempenhar, aumentando a produtividade em espaços menores e diversificando o uso de matéria-prima.
Suely Araújo, coordenadora de políticas públicas do Observatório do Clima, ressalta a importância do estudo como ferramenta para o debate sobre modelos de transição energética, especialmente com a proximidade da COP30 no Brasil. “Esse estudo faz parte de um processo que tem a ver com a consolidação do Grupo de Trabalho Clima e Energia do Observatório do Clima”, diz Araújo. Para os pesquisadores, o fundamental é subsidiar o debate com soluções que possibilitem transições justas, considerando a realidade de cada território.
Fonte: http://agorarn.com.br










