Desafios e propostas para a implementação de fachadas ativas na cidade

A implementação de fachadas ativas em São Paulo enfrenta desafios de infraestrutura e cultura urbana.
O que são fachadas ativas e sua importância para São Paulo
As fachadas ativas são um conceito urbanístico que busca integrar os espaços privados ao público, promovendo uma maior interação entre comerciantes, pedestres e a cidade. Em São Paulo, essa abordagem é respaldada pelo Plano Diretor Estratégico (PDE) de 2014 e pela Lei de Zoneamento (lei 16.402/2016). Estas diretrizes visam transformar áreas urbanas, especialmente ao longo dos eixos de transporte público, em locais vibrantes e acessíveis.
Entretanto, a pesquisa da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) revela que, apesar do aumento no número de empreendimentos com fachadas ativas, a ocupação efetiva desses espaços ainda é bastante restrita. É fundamental entender os desafios enfrentados e os caminhos que podem ser traçados para viabilizar essa proposta.
Desafios enfrentados na implementação das fachadas ativas
Um dos principais obstáculos para a efetivação das fachadas ativas em São Paulo é a infraestrutura inadequada. Muitos dos espaços criados não são proporcionais às necessidades do comércio local, que muitas vezes inclui pequenas lojas, farmácias e padarias, e não apenas grandes redes. A falta de vagas de estacionamento e acessos de carga e descarga adequados também afeta a viabilidade desses estabelecimentos. Além disso, questões técnicas como pé-direito inadequado e ventilação insuficiente têm sido apontadas como barreiras para a ocupação.
Outro fator que impacta negativamente a implementação é o alto custo de locação ou compra dos espaços. Para que as fachadas ativas sejam bem-sucedidas, é necessário que os valores praticados sejam compatíveis com a demanda real do comércio local. Essa avaliação econômica é crucial para atrair comerciantes que buscam viabilidade em suas operações.
Propostas para tornar as fachadas ativas viáveis
Para que as fachadas ativas cumpram seu papel no dinamismo urbano e na segurança das ruas, é necessário um repensar nas dimensões e na infraestrutura dos espaços. A proposta é que os projetos considerem as reais necessidades do comércio de bairro, adequando os requisitos técnicos para que sejam operacionais e atraentes para os comerciantes.
Iniciativas como a criação de incentivos econômicos, como isenções temporárias de IPTU e linhas de crédito para a adaptação de edifícios existentes, poderiam facilitar a implementação de fachadas ativas. Isso ajudaria a uniformizar a ambiência urbana e a promover uma relação mais harmoniosa entre os edifícios e os espaços públicos.
A importância da mudança cultural
Além das questões técnicas e econômicas, é essencial promover uma mudança cultural em relação ao uso do térreo dos edifícios. A valorização desse espaço deve ir além da simples locação para “qualquer loja”; é preciso enxergar o térreo como um elemento vital da vida urbana, que deve ser acessível e convidativo para moradores e visitantes.
Conclusão
Viabilizar as fachadas ativas em São Paulo é um desafio que demanda esforços conjuntos entre o governo, incorporadores e a sociedade. Com ajustes legais, incentivos financeiros e uma transformação cultural, é possível criar ruas mais seguras e agradáveis, reforçando o comércio local e promovendo um urbanismo mais sustentável e humano. Assim, abrir a cidade para a rua se torna um passo significativo em direção a um futuro urbano mais integrado e vibrante.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Claudio Bernardes










