Levantamento mostra que 22% dos brasileiros foram abordados para vender votos, enquanto maioria desconhece como denunciar o crime eleitoral

Pesquisa Ipsos-Ipec indica que 22% dos brasileiros já receberam oferta para compra de votos, com receio e desconhecimento sobre denúncias.
Contexto da compra de voto no Brasil segundo pesquisa Ipsos-Ipec
A pesquisa Ipsos-Ipec, divulgada em 11 de fevereiro de 2026, mostra que a compra de voto continua sendo um desafio significativo para a democracia brasileira. Segundo o levantamento, 22% dos brasileiros afirmam já terem recebido ofertas para vender o voto em alguma eleição. Este dado revela a persistência dessa prática que compromete a transparência e a legitimidade dos processos eleitorais. A socióloga Adelia Franceschini, uma das consultoras do estudo, destaca que a compra de voto não se resume apenas a dinheiro, mas inclui diversas trocas, como benefícios sociais e eventos, que muitas vezes são subestimados pela população.
Formas variadas de compra de voto e percepção pública
Além da oferta direta de dinheiro, outras formas de compra de voto identificadas na pesquisa incluem a oferta de consultas médicas, facilitação no acesso a programas sociais e até mesmo eventos como churrascos e festas. Cerca de 70% dos entrevistados não reconhecem essas práticas como compra de voto, considerando-as “favorzinhos”. Essa percepção reduz a resistência e a repulsa social a essa conduta irregular, dificultando o enfrentamento do problema. A campanha “Voto não tem preço, tem consequências” foi criada para conscientizar a população sobre os diferentes formatos dessa prática e suas implicações legais.
Impacto da compra de voto em diferentes níveis eleitorais e regiões
A pesquisa indica que candidatos a cargos municipais são os principais agentes envolvidos na compra de votos, com 59% das abordagens relacionadas a vereadores e 43% a prefeitos. Regionalmente, o Nordeste apresenta a maior incidência de ofertas, com 32% dos entrevistados afirmando ter sido abordados, acima da média nacional de 22% e do Sudeste com 18%. O cofundador do MCCE, Chico Whitaker, observa que em cidades menores a dependência econômica de empregos públicos e a utilidade direta do dinheiro para as necessidades imediatas tornam a compra de voto mais frequente, enquanto em cidades maiores os benefícios tendem a ser mais indiretos, como distribuição de cestas básicas.
Segurança e dificuldades para denunciar a compra de voto
Apesar da gravidade da compra de votos, a pesquisa revela que 62% dos brasileiros não sabem como denunciar o crime eleitoral, e 52% não se sentem seguros para fazê-lo. A falta de conhecimento sobre os canais oficiais de denúncia, como o aplicativo Pardal da Justiça Eleitoral e do Ministério Público, contribui para a impunidade e perpetuação da prática. O crime, previsto no Código Eleitoral como “captação ilícita de sufrágio”, pode levar a penas de até quatro anos de prisão, mas a ausência de denúncias dificulta a aplicação efetiva da lei.
Iniciativas para combater a compra de voto e fortalecer a democracia
O Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral tem promovido a campanha “Voto não tem preço, tem consequências” para incentivar a conscientização e a denúncia da compra de votos. A partir dos dados da pesquisa, a organização busca ampliar o conhecimento da população sobre as formas de compra de voto e os meios seguros para reportar práticas ilícitas. O fortalecimento da fiscalização e a participação ativa dos eleitores são essenciais para garantir eleições justas e a integridade do processo democrático brasileiro.
Aspectos técnicos da pesquisa Ipsos-Ipec
O levantamento foi realizado entre 4 e 8 de dezembro de 2025, com 2.000 entrevistas em 131 municípios, abrangendo diversas regiões e perfis demográficos. O nível de confiança da pesquisa é de 95%, com margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos nas perguntas que abrangem toda a amostra. Estes dados conferem robustez estatística aos resultados apresentados, que refletem as percepções e experiências atuais dos brasileiros em relação à compra de voto.
O combate à compra de voto passa não apenas pela legislação e fiscalização, mas também por uma mudança cultural e maior engajamento cívico da população. É fundamental que os eleitores entendam as múltiplas formas de compra de voto e sintam-se seguros e informados para denunciar quaisquer irregularidades, garantindo assim a transparência e a legitimidade das eleições no Brasil.









