Trump promete “consequências muito severas” à Rússia se não houver acordo de paz na Ucrânia

Presidente dos EUA pressiona Putin antes de encontro decisivo, acena com novas sanções e sugere reunião tripla com Zelensky

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou o tom contra Moscou e afirmou nesta quarta-feira (13) que a Rússia enfrentará “consequências muito severas” se o presidente Vladimir Putin não concordar em negociar o fim da guerra na Ucrânia durante a reunião marcada para esta sexta-feira (15). A declaração foi feita no Kennedy Center, em Washington, e reforça a postura de pressão adotada pelo governo americano nas últimas semanas.

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Foto: Reuters/Jonathan Ernst

“Se não houver acordo, haverá consequências. Não posso dizer exatamente o que será, mas serão consequências muito severas”, disse Trump, ao ser questionado por jornalistas se isso incluiria novas sanções ou tarifas. O republicano evitou detalhar as medidas, mas deixou claro que a paciência dos Estados Unidos está chegando ao limite.

O encontro com Putin acontece em meio a um cenário de tensão prolongada. Desde o início de seu mandato, Trump tenta se apresentar como um mediador capaz de encerrar o conflito iniciado em fevereiro de 2022, quando Moscou lançou uma ofensiva militar em larga escala contra a Ucrânia. No entanto, apesar de algumas rodadas de conversas indiretas, não houve avanços concretos.

Prazo não cumprido e pressão renovada

Na semana passada, Trump havia estabelecido o dia 8 de março como prazo final para que o Kremlin aceitasse iniciar negociações formais. O anúncio vinha acompanhado da ameaça de novas sanções, mas o prazo expirou sem que medidas adicionais fossem implementadas. Analistas apontam que a eficácia dessas penalidades seria limitada, já que o comércio entre Estados Unidos e Rússia encontra-se em patamares historicamente baixos desde o início da guerra.

Ainda assim, Washington avalia aplicar sanções secundárias a países que continuem comprando petróleo e gás russos. Na prática, isso significa punir financeiramente nações que mantêm acordos energéticos com Moscou, mesmo sem relação direta com os Estados Unidos. A Índia, segundo maior comprador de petróleo russo, já foi alvo de tarifas adicionais impostas pelo governo Trump, mas a medida não chegou a incluir restrições mais duras.

Possível encontro com Zelensky

Durante a conversa com a imprensa, Trump também indicou a possibilidade de uma reunião tripla, envolvendo ele, Putin e o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. O encontro, segundo o americano, só será confirmado caso a reunião desta sexta-feira com o líder russo tenha um resultado positivo.

“Há uma grande chance de termos uma segunda reunião, que será mais produtiva que a primeira. A primeira servirá para entender onde estamos. Se for bem-sucedida, quero que a segunda ocorra quase imediatamente, com Putin e Zelensky na mesma mesa, se ambos aceitarem minha presença”, declarou.

A proposta representa uma rara oportunidade de diálogo direto entre os dois chefes de Estado, que não se encontram presencialmente desde o início da guerra. Porém, diplomatas em Kiev e Moscou veem o plano com ceticismo, citando desconfianças mútuas e posições ainda distantes sobre um possível cessar-fogo.

Guerra prolongada e altos custos humanos

O conflito, que completa três anos em fevereiro de 2025, já deixou milhares de mortos e deslocou milhões de pessoas. Estimativas americanas indicam que 1,2 milhão de indivíduos foram mortos ou feridos desde o início da invasão. Embora os governos da Rússia e da Ucrânia evitem divulgar números precisos de baixas militares, acredita-se que as perdas humanas na linha de frente sejam significativas em ambos os lados.

Em setembro de 2022, Putin decretou a anexação de quatro regiões ucranianas — Donetsk, Luhansk, Kherson e Zaporizhzhia —, consolidando o controle russo sobre cerca de 20% do território vizinho. Desde então, as forças de Moscou avançam lentamente no leste, enquanto Kiev aposta em ataques mais ousados, inclusive dentro do território russo, com o objetivo declarado de enfraquecer a infraestrutura militar adversária.

Apesar de ambos os governos insistirem que não têm civis como alvo, o impacto sobre a população é devastador. As cidades próximas à linha de frente sofrem com bombardeios constantes, enquanto áreas afastadas enfrentam colapsos econômicos e dificuldades de acesso a serviços básicos.

Cenário diplomático incerto

A reunião entre Trump e Putin desta sexta-feira é vista como um teste de força política e diplomática. Se bem-sucedida, pode abrir caminho para um diálogo mais amplo, envolvendo a própria Ucrânia. Se fracassar, o risco é de que novas medidas punitivas americanas aprofundem ainda mais o isolamento da Rússia no cenário internacional.

Nos bastidores, aliados europeus acompanham de perto a movimentação, preocupados com o impacto que qualquer escalada possa ter sobre os mercados energéticos e a estabilidade regional. O desafio para Trump será transformar a ameaça de “consequências muito severas” em um instrumento de pressão eficaz, sem provocar reações que inviabilizem qualquer negociação futura.

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