Presidente pressiona petroleiras a reduzir preços da gasolina em meio à alta global

Donald Trump repreende ExxonMobil e Chevron por lucros desmedidos durante conflito no Irã e cobra redução nos preços da gasolina nos EUA.
O presidente Donald Trump não poupou críticas às maiores petroleiras americanas, ExxonMobil e Chevron, acusando-as de “ganharem dinheiro demais” durante a escalada dos preços do petróleo provocada pela guerra no Irã, conflito que sua administração ajudou a desencadear em fevereiro, em aliança com Israel. Na Casa Branca, em entrevista nesta segunda-feira (3), Trump deixou claro seu descontentamento e exigiu que as empresas “devolvam parte desse dinheiro ao público” por meio da redução dos preços da gasolina nas bombas.
Apesar de ser um declarado defensor da livre iniciativa, Trump assumiu um tom incomum para sua postura habitual: “Não gosto disso. Eu deveria ser o último a dizer, porque sou um grande defensor da livre iniciativa, ninguém mais do que eu. Estão surpresos por eu estar dizendo isso? Vou dizer em alto e bom som. Não estou nada feliz com isso.”
As gigantes ExxonMobil e Chevron mais que dobraram seus lucros líquidos no segundo trimestre, beneficiadas pelo cenário turbulento causado tanto pelo conflito no Oriente Médio quanto pela instabilidade no mercado energético global, agravada pela guerra na Rússia. Em vez de diluir esses ganhos entre acionistas, as empresas optaram por reduzir suas dívidas, o que não impediu a pressão política sobre Trump.
Essa alta nos preços da gasolina, que já ultrapassa os US$ 4 por galão nos Estados Unidos, agrava o custo de vida enfrentado pelos americanos, afetando moradia, alimentos e bens essenciais. Isso representa um risco real para o Partido Republicano, que vê suas chances nas eleições legislativas de novembro ameaçadas.
Nos bastidores, Trump tem buscado responsabilizar as grandes petroleiras como bode expiatório, ordenando em junho uma investigação do Departamento de Justiça sobre a aparente resistência das empresas em reduzir os preços da gasolina, levantando suspeitas de práticas abusivas. Ele também contestou a narrativa de que o Estreito de Ormuz estaria sob controle do regime islâmico, tentativa clara de minimizar o impacto da crise geopolítica.
Lucros em meio à crise
ExxonMobil e Chevron surfam na turbulência do mercado energético global graças ao conflito no Irã, com lucros recordes que não se traduzem em alívio para o consumidor.
Pressão política cresce
Alta nos preços da gasolina desgasta a popularidade de Trump e ameaça o desempenho do Partido Republicano nas próximas eleições.
Medidas controversas
Trump inverte seu discurso liberal para cobrar intervenção no mercado e investigar possíveis abusos das petroleiras.
Em suma, o episódio expõe contradições na postura de Trump: defensor da livre iniciativa que, diante da crise, pressiona pelo que parece ser uma intervenção indireta nas petrolíferas, buscando proteger sua base eleitoral e preservar o capital político do Partido Republicano.








