Acidente na Serra Catarinense evidencia desafios do rastreamento aéreo mesmo com satélites e GPS

Acidente com helicóptero na Serra Catarinense destaca dificuldades na localização imediata de aeronaves mesmo com GPS, satélites e transponders. Especialista explica fatores técnicos e geográficos que dificultam buscas.
O recente acidente com o helicóptero que transportava o cantor Rick, da dupla Rick & Renner, na Serra Catarinense, evidenciou os desafios técnicos e geográficos envolvidos na localização imediata de aeronaves desaparecidas, mesmo em uma era dominada por tecnologias como GPS, satélites e comunicação digital.
Operação de busca coordenada pela FAB
A aeronave saiu de Porto Belo com destino à região de São Joaquim e desapareceu na tarde de 21 de setembro. As buscas envolveram o Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina e a Força Aérea Brasileira (FAB), com coordenação do Centro de Coordenação de Salvamento Aeronáutico de Curitiba (SALVAERO Curitiba). Para a operação, foram utilizados recursos como o helicóptero H-60 Black Hawk e a aeronave SC-105 Amazonas, equipada com sensores eletro-ópticos e infravermelhos para identificar variações térmicas, inclusive em baixa luminosidade.
Tecnologia empregada e limitações
Segundo Eduardo Pellizzaro, piloto comercial e especialista em Segurança Operacional pelo ITA, o rastreamento de aeronaves ocorre por meio do transponder, que transmite dados como identificação e altitude para os órgãos de controle. Entretanto, a recepção dessas informações depende da cobertura disponível e pode ser prejudicada por obstáculos naturais como montanhas e vales, especialmente em regiões de relevo acidentado como a Serra Catarinense.
Em emergências, os pilotos podem ativar códigos específicos no transponder ou utilizar frequências aeronáuticas para solicitar socorro. O equipamento ELT (Emergency Locator Transmitter) também pode ser acionado automaticamente em impactos ou manualmente pela tripulação para transmitir sinais de emergência via satélites do sistema COSPAS-SARSAT, que são processados pelo Centro Brasileiro de Controle de Missão (BRMCC).
Dificuldades na definição da área de buscas
Na ausência de sinais claros de emergência ou localização, as equipes precisam compilar dados diversos — últimas comunicações, sinal de celular dos ocupantes e relatos — para delimitar e reduzir a área de buscas, que pode se estender por dezenas de quilômetros. O mau tempo registrado na região no momento do acidente complica ainda mais as operações e é um dos elementos analisados na investigação.
Apuração técnica e capacidade do Brasil
A investigação dos fatores que causaram o acidente é conduzida por órgãos técnicos aeronáuticos, que analisam a sequência de eventos e o peso de cada elemento, como a meteorologia. O Brasil mantém uma estrutura consolidada para busca e salvamento, abrangendo uma vasta área territorial e marítima, com centros especializados e aeronaves equipadas para atuar em diferentes condições.
Pellizzaro destaca que, apesar da robusta tecnologia e protocolos de segurança, a aviação trabalha com camadas variadas de proteção, e o tempo para localizar uma aeronave pode ser decisivo para a sobrevivência dos ocupantes. Assim, quanto mais rápida e precisa for a informação para as equipes, maior a eficácia das operações de resgate.
Fonte: xvcuritiba.com.br









