Ex-ministro do Meio Ambiente é acusado de envolvimento em organização criminosa.

Ricardo Salles será julgado no STF por suposto contrabando de madeira.
O ex-ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, será julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por seu suposto envolvimento em uma organização criminosa que desviava madeira. A decisão foi tomada pelo ministro Alexandre de Moraes, que acolheu um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) em 27 de agosto, definindo que o STF é competente para tratar do caso. Segundo a decisão, as infrações ocorreram durante a gestão de Salles, quando ele ocupava o cargo de Ministro de Estado do Meio Ambiente.
O que motivou o julgamento de Salles
Salles é um dos 22 réus na denúncia apresentada. Ele foi procurado para comentar sobre a situação e apenas afirmou que a denúncia já havia sido recebida em primeira instância. A nova jurisprudência do STF, que mantém a prerrogativa de foro para autoridades mesmo após o afastamento do cargo, foi um dos argumentos utilizados pela PGR para que o julgamento ocorresse no Supremo.
Em 2023, a Justiça Federal no Pará havia já tornado Salles réu em um caso onde ele classificou a denúncia como absurda, alegando que ignorava provas e testemunhos coletados pela Polícia Federal. O relatório da Justiça indicava que um grupo, do qual Salles fazia parte, emitia certidões e ofícios que contrariavam as orientações do Ibama, com o objetivo de liberar madeira apreendida.
A gestão de Salles e os desdobramentos
Durante sua gestão, Salles foi alvo de uma operação da Polícia Federal em 2021, que investigava crimes como corrupção e facilitação de contrabando. Ele pediu demissão em junho do mesmo ano, em meio às investigações sobre favorecimento ao setor madeireiro. De acordo com as denúncias, a atuação de Salles incluía a nomeação de servidores para representar interesses privados e a exoneração de aqueles que tentavam combater a exportação ilegal de madeira.
A acusação afirma que Salles se reunia com representantes do setor madeireiro e ordenava mudanças nas normas do Ibama para facilitar a exportação sem as devidas autorizações. Este julgamento no STF será um marco importante, pois poderá estabelecer precedentes sobre a responsabilidade de autoridades em casos de corrupção e crime ambiental.
O caso de Ricardo Salles é emblemático e levanta questões sobre a fiscalização e a proteção ambiental no Brasil. A sociedade civil e especialistas em meio ambiente estão atentos aos desdobramentos deste julgamento, que pode impactar não só a carreira política de Salles, mas também a credibilidade das instituições envolvidas na proteção do meio ambiente e no combate ao crime organizado relacionado ao desvio de recursos naturais.










