STF retoma julgamento sobre responsabilidade das big techs por conteúdos digitais


Ministros discutem modulação da decisão e critérios para aplicação das novas regras em processos judiciais

STF retoma julgamento sobre responsabilidade das big techs por conteúdos digitais
Ministros do STF durante sessão do julgamento sobre responsabilidade das big techs. Foto: Nelson Jr

STF retoma julgamento para definir responsabilidades das plataformas digitais por conteúdos de usuários e critérios de aplicação.

STF retoma julgamento sobre responsabilidade das big techs por conteúdos digitais

O Supremo Tribunal Federal (STF) retomou nesta quarta-feira (17) o julgamento que discute a responsabilidade das big techs por conteúdos publicados por usuários nas suas plataformas digitais. A responsabilidade das big techs é o tema central das divergências entre os ministros, que buscam consenso sobre a aplicação das novas regras definidas em junho de 2025, quando o STF ampliou os deveres das plataformas além do previsto no Marco Civil da Internet.

Divergências centrais no julgamento envolvem modulação da decisão e aplicação em processos

Entre os principais pontos debatidos, os ministros discutem se a modulação da decisão deve manter o modelo anterior para processos judiciais já transitados em julgado até junho de 2025, como propõe o relator Dias Toffoli. Por outro lado, ministros como Flávio Dino, André Mendonça, Nunes Marques e Luiz Fux defendem que fatos anteriores à decisão não podem ser submetidos retroativamente à nova tese, argumentando que a jurisprudência não pode retroagir e que anteriormente não havia o dever de cuidado para as plataformas digitais.

Critérios para exigência de canais de atendimento e transparência dividem os ministros

Outro ponto de controvérsia refere-se à aplicação das obrigações mais complexas, como a implementação de canais de atendimento dedicados e a elaboração de relatórios de transparência. Toffoli sugere que essas exigências se apliquem apenas a plataformas com mais de 1 milhão de usuários no Brasil. Já Dino defende que todos os provedores abrangidos pela tese devem cumprir essas regras, enquanto Mendonça alerta para o impacto negativo que tal ampliação pode causar em startups e empresas menores.

Propostas para implementação das novas regras e impacto no mercado digital

Na última semana, os ministros chegaram a um consenso de que as plataformas digitais terão um prazo de 60 dias após o fim do julgamento para implementar as mudanças estruturais previstas. Foi também acordado que as plataformas terão responsabilidade solidária pelos danos decorrentes de conteúdos ilícitos postados por terceiros.

Expectativas para conclusão e efeitos da decisão no setor tecnológico

Além da modulação e dos critérios técnicos, o STF deve analisar ainda outros recursos, sob relatoria de Luiz Fux, para definir a partir de quando os conteúdos estarão sujeitos às novas regras e se a configuração dos crimes listados na tese exigirá preenchimento de todos os critérios previstos. A decisão final do STF vai estabelecer a orientação para a atuação das plataformas digitais em todo o País, impactando diretamente a regulação do ambiente digital e o combate a conteúdos ilícitos nas redes.


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