Empresário do Grupo Cosan coordenou emissão de debêntures que garantiu recursos ao jornal paulista

Rubens Ometto, fundador do Grupo Cosan, coordenou aporte de R$ 142,5 milhões via debêntures para o Estadão, evitando falência do jornal paulista.
Nas recentes negociações envolvendo o Banco Master e o Estadão, o nome de Rubens Ometto se destacou como figura central. Em mensagens trocadas entre o empresário Flávio Carneiro e Daniel Vorcaro, Ometto é referido como “o velho” e apontado como principal responsável pela operação que garantiu a sobrevivência financeira do jornal paulista.
Fundador e presidente do conselho do Grupo Cosan, Ometto liderou a emissão de debêntures que captou R$ 142,5 milhões entre bancos e empresas, viabilizando a continuidade do Estadão, que enfrentava dívida de R$ 159 milhões e risco de falência. A primeira rodada de captação em março de 2024 somou R$ 45 milhões, com participação de grandes bancos como Itaú, Bradesco e Santander. Em maio, a segunda rodada, com R$ 97,5 milhões, contou com aportes de várias empresas, incluindo os R$ 15 milhões da Cosan.
Essa operação possibilitou ao grupo de comunicação evitar a recuperação judicial e proporcionou aos novos investidores assentos no conselho administrativo, aumentando sua influência na gestão editorial do jornal. Ometto, conhecido por sua atuação na Faria Lima e posição política pragmática, já declarou apoio a diferentes governos e mantém forte presença no mercado financeiro, além de liderar doações eleitorais para diversos partidos, visando influenciar regulamentações nos setores em que atua, como energia e logística.
Antes dessa operação, Ometto enfrentou denúncias na Comissão de Valores Mobiliários, citações na Operação Lava Jato e restrições do Conselho Administrativo de Defesa Econômica. Recentemente, sua gestão na Raízen, joint venture da Cosan com a Shell, passou por uma recuperação extrajudicial bilionária, com exigência da saída dele do comando do conselho para manter a estabilidade da empresa.
Nas conversas divulgadas, Flávio Carneiro indicou que Ometto estava diretamente envolvido e atuava com autonomia na operação do Estadão, coordenada com apoio de executivos do Grupo Cosan e do Brazil Journal. Vorcaro, na ocasião, manifestou surpresa por não ter sido comunicado previamente sobre a iniciativa.
Essa série de movimentos revela a crescente participação de Rubens Ometto no controle e no direcionamento do Estadão, consolidando sua influência no setor de mídia, além de ampliar sua atuação estratégica no cenário empresarial e político brasileiro.










