Resultados das eleições americanas são interpretados como enfraquecimento do primeiro-ministro israelense

Rivais de Benjamin Netanyahu usam vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato dos EUA para defender sua saída do poder, apontando desgaste no apoio bipartidário a Israel.
Rivais políticos de Benjamin Netanyahu têm usado a vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos para reforçar o argumento de que o primeiro-ministro israelense desperdiçou apoio tradicional bipartidário a Israel. Os democratas conquistaram a maioria tanto no Senado quanto na Câmara dos Deputados, resultado que representa uma reprimenda ao governo Trump, em parte motivada pela insatisfação com a guerra contra o Irã envolvendo EUA e Israel.
A votação americana ocorreu uma semana após as eleições em Israel, nas quais a coalizão de direita liderada por Netanyahu perdeu a maioria parlamentar, embora tenha evitado que o principal adversário, Gadi Eisenkot, tenha caminho livre para formar governo.
O presidente israelense Isaac Herzog iniciará rodadas de conversas para definir quem receberá a incumbência de formar o próximo governo. Até lá, Netanyahu continuará como primeiro-ministro interino.
Historicamente, os Estados Unidos mantêm forte aliança com Israel, fornecendo bilhões em ajuda militar anual sob governos de ambos os partidos. Contudo, Netanyahu passou a apoiar abertamente os republicanos, o que, aliado a recentes ataques militares em Gaza e ações conjuntas com Trump contra o Irã, provocou desgaste do apoio entre democratas e alguns republicanos.
Candidatos democratas utilizaram críticas à ajuda militar americana a Israel em suas campanhas. No dia da eleição, Trump prometeu suspender os US$ 4 bilhões anuais em ajuda a Israel, alegando que isso eliminaria um argumento negativo usado pelos adversários.
Líderes da oposição israelense, como Yair Golan e Yair Lapid, interpretam o resultado eleitoral americano como sinal de que Netanyahu compromete a segurança, democracia e reputação internacional de Israel. Netanyahu não se pronunciou sobre o resultado até o momento.
Especialistas, como Udi Sommer da Universidade de Tel Aviv, avaliam que o novo Congresso dominado por democratas poderá adotar postura mais hostil a Israel, exercendo pressão via audiências e controle orçamentário, ainda que a política externa permaneça principalmente nas mãos do presidente dos EUA.
O processo para definição do próximo primeiro-ministro poderá levar semanas ou meses, dependendo da formação de coalizões ou eventual convocação de novas eleições em Israel.










