Responsabilidade do Executivo na deterioração fiscal brasileira


Análise sobre o impacto das políticas do governo na situação fiscal do Brasil

Responsabilidade do Executivo na deterioração fiscal brasileira
Marcos Mendes

Análise crítica das decisões do Executivo que impactaram a situação fiscal do Brasil.

O papel do Executivo na crise fiscal do Brasil

A responsabilidade do Executivo na deterioração fiscal do Brasil se torna cada vez mais evidente, especialmente a partir de 2023. A análise dos dados financeiros demonstra um aumento substancial nas despesas públicas, que agora se aproximam de R$ 2.400 bilhões nos últimos 12 meses, um crescimento real de R$ 309 bilhões desde dezembro de 2022. Essa situação levanta preocupações sobre a sustentabilidade fiscal do país.

Crescimento das despesas públicas e suas consequências

Historicamente, entre 2016 e 2019, a despesa primária do Governo Federal se manteve estável, com uma média de R$ 1.974 bilhões. Contudo, a pandemia trouxe um aumento significativo, seguido por uma estabilização acima dos níveis pré-pandêmicos. No governo atual, as despesas dispararam, contradizendo a narrativa de uma herança fiscal maldita. As decisões do Executivo, como a nova política do salário mínimo e a reindexação das despesas em saúde e educação, contribuíram para um aumento expressivo nas contas públicas.

A relação entre despesas e PIB

Em termos de PIB, a despesa primária deve fechar 2025 em 19%, semelhante à média de 2016 a 2022. Essa estatística pode ser enganosa, pois a expansão fiscal tem elevado o PIB, reduzindo a relação despesa/PIB. Entretanto, essa estratégia é insustentável a longo prazo e pode levar a uma crise fiscal, como já ocorreu em 2014, quando o ciclo de expansão fiscal anterior se esgotou.

Aumento das despesas financeiras e suas implicações

Além das despesas primárias, o governo também aumentou as despesas financeiras, que não são contabilizadas no resultado primário. Em 2022, o orçamento da União destinou R$ 66 bilhões para empréstimos direcionados, um valor que mais do que dobrou em 2025. Esses recursos poderiam ter sido utilizados para reduzir a dívida pública, mas foram direcionados para financiar políticas públicas, o que levanta questões sobre as prioridades do governo.

Tentativas de compensação com aumento de receitas

O governo tentou compensar o aumento das despesas com um crescimento nas receitas, que aumentaram em R$ 211 bilhões comparando dezembro de 2022 a outubro de 2025. No entanto, esse crescimento foi insuficiente, resultando em um déficit primário de 0,6% do PIB e 1% em desembolsos financeiros. A desaceleração econômica prevista para 2026 deverá impactar negativamente as receitas, tornando ainda mais difícil evitar uma crise fiscal.

Conclusão: risco de crise fiscal à vista

Com a economia desacelerando e as despesas em ascensão, a possibilidade de uma crise fiscal se torna iminente. O governo precisa repensar suas políticas e buscar um ajuste sustentável nas contas públicas para evitar um desfecho negativo. A responsabilidade do Executivo na deterioração fiscal é clara e a necessidade de ação é urgente.

Fonte: www1.folha.uol.com.br


Veja também

Boulos alerta para risco de manobra no Congresso sobre fim da escala 6×1

Guilherme Boulos alerta para risco de manobra no Congresso com fim da escala 6×1. Proposta …

STF zera placar e adia julgamento sobre revisão da vida toda

STF forma maioria contra revisão da vida toda, mas Fachin solicita destaque e anula placar …

agitação política e redes sociais transformam caso Ypê em mobilização digital da direita

Decisão da Anvisa contra produtos Ypê desencadeia mobilização da direita nas redes sociais, envolvendo influenciadores …

pf investiga deputado do psdb por contratos de 200 milhões no rio de janeiro

Polícia Federal investiga deputado do PSDB em contratos de R$ 200 milhões para castração e …

Escola do Mar inicia curso gratuito de bolos e tortas em Paranaguá

Escola do Mar em Paranaguá começa curso gratuito de bolos e tortas, promovendo qualificação e …

IPVA 2026: prazo final para pagamento da última parcela placas 3 e 4

Última parcela do IPVA 2026 para veículos com placas 3 e 4 vence em 12 …

Últimas Notícias

Boulos alerta para risco de manobra no Congresso sobre fim da escala 6×1

Guilherme Boulos alerta para risco de manobra no Congresso com fim da escala 6×1. Proposta pode ser…

STF zera placar e adia julgamento sobre revisão da vida toda

STF forma maioria contra revisão da vida toda, mas Fachin solicita destaque e anula placar para nova…

agitação política e redes sociais transformam caso Ypê em mobilização digital da direita

Decisão da Anvisa contra produtos Ypê desencadeia mobilização da direita nas redes sociais…

pf investiga deputado do psdb por contratos de 200 milhões no rio de janeiro

Polícia Federal investiga deputado do PSDB em contratos de R$ 200 milhões para castração e…

Escola do Mar inicia curso gratuito de bolos e tortas em Paranaguá

Escola do Mar em Paranaguá começa curso gratuito de bolos e tortas, promovendo qualificação e…