Ministro da Secretaria-Geral da Presidência teme aprovação na Câmara e engavetamento no Senado da proposta que modifica jornada de trabalho

Guilherme Boulos alerta para risco de manobra no Congresso com fim da escala 6×1. Proposta pode ser aprovada na Câmara e travada no Senado.
Risco de manobra no Congresso ameaça fim da escala 6×1
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, alertou nesta terça-feira, 12 de maio de 2026, para um possível risco de manobra no Congresso Nacional envolvendo o fim da escala 6×1. De acordo com Boulos, a proposta pode ser aprovada na Câmara dos Deputados por meio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), enquanto o projeto de urgência constitucional enviado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva permanece parado no Senado. Essa estratégia poderia resultar no engavetamento da medida, impedindo sua efetiva implementação. O ministro destacou que essa situação representa um perigo real e chamou a atenção da sociedade para acompanhar o desenrolar desse processo.
Críticas às propostas de transição para mudança na jornada de trabalho
Boulos manifestou oposição às propostas discutidas no Congresso que preveem a redução gradual da escala 6×1 em até cinco anos. Para o ministro, essas medidas configuram uma tentativa de postergar a efetivação da mudança, um “empurrar com a barriga” que desrespeita os trabalhadores. Ele ressaltou o contraste entre essa lentidão na adoção de benefícios trabalhistas e a rapidez com que medidas que favorecem grandes empresários ou aumentos de juros são implementadas imediatamente após aprovação, evidenciando uma disparidade no tratamento dos interesses econômicos e sociais.
Resistência do agronegócio comparada à oposição ao fim da escravidão
Em sua análise, Boulos comparou a resistência de lideranças do agronegócio ao fim da escala 6×1 com a postura dos proprietários rurais contrários à abolição da escravidão em 1888. Ele afirmou que alguns empresários do setor, especialmente os alinhados ao bolsonarismo, adotam um discurso similar ao antigo argumento de que o fim da escravidão prejudicaria o desenvolvimento econômico. Essa analogia critica a lógica que prioriza interesses econômicos imediatos em detrimento dos direitos humanos e trabalhistas.
Setor econômico e ataques à proposta do fim da escala 6×1
O ministro também denunciou uma campanha de “terrorismo” econômico contra a proposta, na qual setores empresariais afirmam que a mudança traria graves consequências para a economia. Segundo Boulos, essa oposição é generalizada entre grandes empresários, que tradicionalmente não defendem os interesses dos trabalhadores. Ele criticou especificamente a iniciativa do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) que propõe compensação financeira obrigatória para empresários pela redução da jornada, qualificando a medida de “bolsa-patrão” e um “absurdo”.
Posicionamento sobre política econômica e apostas
Além das questões trabalhistas, Boulos criticou economistas que atacam o governo ao contestar a atual taxa de juros Selic, mencionando que muitos defendem índices irreais que não condizem com a realidade econômica do país. O ministro também expressou apoio pessoal à proibição das apostas (bets), posicionando-se contra essa atividade.
Implicações políticas e sociais do debate sobre a escala 6×1
O debate em torno do fim da escala 6×1 envolve tensões profundas entre interesses econômicos e direitos dos trabalhadores, refletindo uma disputa política acirrada no Congresso Nacional. A possibilidade de manobras legislativas para aprovar a proposta em uma casa legislativa e estagnar em outra indica desafios para a efetivação de mudanças significativas nas condições de trabalho. A vigilância da sociedade civil e dos atores políticos será fundamental para garantir que os direitos trabalhistas avancem sem retrocessos ou atrasos artificiais.









