Investigação revela ramificações antigas e múltiplas frentes da rede de Ricardo Magro no governo do Rio e além

A rede de influencia de Ricardo Magro no Rio envolve poder politico e esquemas fiscais, conforme investigação da Polícia Federal.
A rede de influencia de Ricardo Magro tem se consolidado ao longo de quase duas décadas no cenário político e fiscal do Rio de Janeiro. A operação da Polícia Federal realizada em 15 de maio de 2026 revelou como essa estrutura atua em múltiplas frentes, especialmente no governo do estado, afetando órgãos essenciais como a Secretaria de Fazenda e a Procuradoria-Geral do Estado.
Rede de influencia de Ricardo Magro nos órgãos do governo do Rio de Janeiro
Desde 2008, quando adquiriu a Refinaria de Manguinhos, Ricardo Magro construiu uma teia de conexões políticas. Segundo a investigação da PF, a Secretaria de Fazenda, durante a gestão de Juliano Pasqual, transformou-se numa extensão empresarial do Grupo Refit, enquanto a Procuradoria-Geral do Estado, na época liderada por Renan Saad, facilitava a defesa dos interesses da refinaria. Essas nomeações estratégicas foram fundamentais para garantir proteção jurídica e fiscal ao grupo.
Pasqual, avalizado por Magro, possui ligações com a família do ministro aposentado do TCU Aroldo Cedraz, evidenciando como a influência extrapola o âmbito estadual. A troca na PGE, com a saída de Bruno Dubeux por não concordar com as práticas favoráveis à Refit, demonstra o grau de ingerência política dentro das instituições.
Impacto fiscal e manobras tributárias da rede de Ricardo Magro
A rede de influencia de Ricardo Magro também se manifesta em esquemas tributários complexos que resultaram numa dívida ativa de R$ 52 bilhões, a maior do país. A refinaria utilizava artifícios para não pagar ICMS integralmente, declarando receber óleo bruto para pagar menos impostos, quando na verdade importava gasolina pronta. Essa maquiagem fiscal foi mantida por meio da cooptação de agentes públicos e da manipulação legislativa.
Durante governos anteriores, como o de Benedita da Silva e Rosinha Garotinho, decretos e modelos de cobrança de ICMS facilitaram essas práticas, consolidando a base para a atuação da rede. A refinaria enfrentou episódios de desapropriação e embates políticos, mas manteve sua influência graças aos vínculos políticos e jurídicos estabelecidos.
Relações políticas e influência em Brasília e no setor energético
Além do Rio, Ricardo Magro possui interlocuções em Brasília, destacando-se a relação com o senador Ciro Nogueira, que tem atuado para beneficiar empresas de refino no Congresso. A emenda proposta para retirar essas empresas de projetos de combate a devedores contumazes revela o alcance nacional da rede.
No setor energético, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) chegou a interditar a Refit por irregularidades, mas o governo do Rio, por meio da PGE, acionou a Justiça para reverter a medida. Essas ações demonstram como a rede atua para preservar seus interesses em diferentes esferas administrativas.
Histórico e evolução da rede de Ricardo Magro
Antes de assumir a refinaria, Magro atuava como advogado tributário para distribuidoras de combustível, incluindo figuras políticas como Eduardo Cunha. A influência política se manifesta desde o início dos anos 2000, com mudanças legislativas que beneficiaram seus negócios.
O episódio relacionado à suposta máfia do combustível em 2010 revelou a centralidade de Magro em esquemas de malabarismos fiscais e conexões políticas, envolvendo deputados e agentes públicos. A rede manteve sua relevância mesmo diante de investigações e embates políticos, adaptando-se e fortalecendo suas frentes.
Consequências da investigação e desdobramentos futuros
Com a operação da PF em 2026, a rede de influencia de Ricardo Magro foi exposta publicamente, chamando atenção para a complexidade e profundidade da infiltração da criminalidade organizada no Estado do Rio. As exonerações recentes de cargos-chave indicam medidas para enfraquecer a estrutura, mas o histórico sugere que a rede possui mecanismos de resistência e renovação.
A figura de Magro, que atualmente reside nos EUA e mantém uma vida de luxo, simboliza o desdobramento internacional do esquema. A continuidade das investigações poderá revelar mais detalhes e ampliar o alcance das responsabilidades políticas e jurídicas relacionadas a essa rede.









