Governador do Paraná pregou harmonia entre os Poderes e afirmou que “briga não coloca comida na mesa”
O governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), se manifestou nesta segunda-feira (4) sobre a decisão do ministro Alexandre de Moraes que impôs prisão domiciliar ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Sem citar o nome do ministro, Ratinho fez críticas ao que chamou de “ativismo” e defendeu a necessidade de harmonia entre os Poderes para garantir estabilidade institucional no Brasil.

“O povo brasileiro acorda diariamente buscando prosperidade. E tem visto, infelizmente, cenas tristes, até mesmo com prisão domiciliar. Não será com ativismo, seja de qualquer parte, que iremos construir um novo País. Devemos buscar o equilíbro, o fortalecimento das nossas instituições e, sobretudo, a harmonia dos Poderes, respeitando o que está previsto na Constituição”, escreveu Ratinho nas redes sociais.
Em outro trecho, o governador afirmou que o país precisa “de união para seguir em paz” e que disputas institucionais não ajudam a resolver os problemas reais da população.
“Briga não coloca mais comida na mesa do trabalhador. O Brasil precisa de união para seguir em paz. Ao ex-presidente Bolsonaro, a minha solidariedade”, disse.
Tom de pacificação e sinal político
A fala de Ratinho ocorreu horas após a decisão que impôs prisão domiciliar a Bolsonaro, sob acusação de descumprir medidas judiciais impostas no inquérito que investiga tentativa de golpe. O ex-presidente foi proibido de usar redes sociais, dar entrevistas e receber visitas não autorizadas. A medida gerou reações de aliados, especialmente dentro da direita, que acusam o STF de perseguição política.
O posicionamento do governador do Paraná reforça seu tom moderado em meio à radicalização de discursos tanto da oposição quanto de membros do Judiciário. Ratinho, que tem proximidade com o bolsonarismo mas tenta manter pontes institucionais com o governo Lula e o Supremo, evitou ataques diretos a Moraes e usou a expressão “ativismo, seja de qualquer parte” para suavizar o tom e se preservar politicamente.
Ao mesmo tempo, ao expressar solidariedade a Bolsonaro, envia um sinal claro à base conservadora que ainda tem peso relevante no Paraná e em parte do eleitorado que Ratinho pretende manter por perto em projetos futuros.
De olho em 2026
Com o nome cada vez mais cotado para disputar a Presidência da República em 2026, o governador paranaense adota uma estratégia de equilíbrio: busca se posicionar como liderança responsável e comprometida com a institucionalidade, mas sem romper com os setores de direita que o ajudaram a se consolidar politicamente nos últimos anos.
A crise envolvendo Bolsonaro, STF e agora também o governo dos Estados Unidos, que reagiu à decisão de Moraes, impõe um novo desafio a quem deseja construir uma alternativa viável para o pós-bolsonarismo. Nesse cenário, a fala de Ratinho tenta captar o sentimento de parte do eleitorado que reprova os excessos dos dois lados, mas ainda rejeita a volta de um protagonismo da esquerda.
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