Miguel Ângelo enfrenta tribunal em Portugal acusado de planejar massacre que resultou em morte na zona leste de São Paulo

Miguel Ângelo, português, é julgado por ordenar ataque a escola em São Paulo que matou Giovanna Bezerra em 2023.
Contexto do julgamento em Portugal contra o líder neonazista
O tribunal de Santa Maria da Feira, em Portugal, iniciou em 19 de fevereiro de 2026 o julgamento de Miguel Ângelo, jovem de 18 anos conhecido na internet como Mikazz. Ele é acusado de planejar ataques em escolas brasileiras, incluindo o ataque fatal ocorrido em 2023 na escola estadual de Sapopemba, zona leste de São Paulo. A keyphrase “português acusado ordenar ataque escola” é central para compreender o escopo deste processo judicial.
Miguel Ângelo enfrenta uma acusação que engloba 240 crimes, sendo sete deles homicídios – um consumado e seis tentados. O Ministério Público português atribui a ele a liderança de uma célula neonazista denominada “The Kiss”, que promovia discursos racistas e incentivava violência e automutilação entre seus membros.
O ataque em Sapopemba e sua dinâmica
O ataque a tiros em Sapopemba foi realizado por um adolescente brasileiro de 16 anos, estudante do primeiro ano do ensino médio. Durante o crime, ele transmitiu o ataque ao vivo pela internet, ferindo três colegas e matando Giovanna Bezerra, de 18 anos, que foi atingida na cabeça. As outras vítimas feridas são mulheres e apresentam quadro estável.
Segundo as investigações, Miguel Ângelo teria incitado e ordenado o ataque a partir de Portugal, coordenando ações desde Santa Maria da Feira e Gondomar, cidades onde estava baseado. A influência do português foi considerada decisiva para a execução do crime.
A atuação internacional das autoridades na investigação
A elucidação dos fatos e a construção da denúncia contra Miguel Ângelo resultaram de uma força-tarefa internacional envolvendo a Polícia Judiciária portuguesa e a Polícia Federal brasileira. Essa cooperação permitiu identificar a conexão entre o grupo neonazista liderado por Miguel e o autor do massacre em São Paulo.
O Ministério Público ressaltou que o adolescente brasileiro não teria, por si só, capacidade para planejar e executar as ações sem a orientação do líder português. A preventiva de Miguel Ângelo está vigente desde maio de 2024 em Portugal enquanto o processo se desenrola.
Impactos sociais e prevenção de outros ataques em escolas brasileiras
Além do massacre consumado, as investigações indicam que pelo menos dois outros ataques planejados no Brasil foram impedidos graças à atuação conjunta das autoridades. O caso evidencia a preocupação com a propagação de grupos extremistas pela internet e seus efeitos na segurança escolar.
O episódio também chama atenção para a necessidade de políticas eficazes de prevenção e combate à radicalização, especialmente entre jovens, e para a importância do intercâmbio internacional de informações para coibir crimes transnacionais.
Perspectivas do julgamento e consequências jurídicas
O julgamento de Miguel Ângelo marca um precedente importante no enfrentamento de crimes de ódio e terrorismo digital com ramificações internacionais. A acusação busca responsabilizar o jovem português não apenas pelos atos de incitação, mas também por sua liderança em um grupo que promove violência e discriminação.
A decisão judicial poderá influenciar futuras ações contra redes neonazistas e extremistas, fortalecendo mecanismos legais para impedir que indivíduos coordenem ataques remotamente. O processo é acompanhado com atenção por autoridades de ambos os países e pela sociedade civil preocupada com a segurança e os direitos humanos.
Fonte: noticias.uol.com.br










