Empresários investigados discutem uso de criptomoedas e proteção de patrimônio em áudios gravados

Investigação da Polícia Federal revela que grupo Golden Boys elaborou planos para ocultar patrimônio e converter recursos bloqueados em criptomoedas após a Operação Sem Desconto.
A Polícia Federal divulgou nesta segunda-feira (27/5) vídeos que mostram integrantes do grupo Golden Boys discutindo estratégias para ocultar patrimônio e movimentar recursos após a Operação Sem Desconto, que investiga fraudes no INSS. Nas gravações, feitas em um imóvel de luxo em Alphaville, na Grande São Paulo, os empresários abordam o resgate de valores bloqueados judicialmente e a conversão desses recursos em criptomoedas para dificultar o rastreamento pelas autoridades.
O grupo, composto por Anderson Cordeiro Vasconcelos, Felipe Macedo Gomes, Igor Dias Delecrode e Américo Monte, é investigado por comandar quatro associações de fachada que desviaram R$ 6,2 bilhões da folha de pagamento de aposentados e pensionistas. Eles teriam obtido mais de R$ 700 milhões por meio de mensalidades e descontos indevidos, além de manter uma rede de empresas para movimentar o dinheiro obtido ilegalmente.
Nas conversas, Anderson manifesta o desejo de cortar vínculos com o esquema, enquanto Igor relata o bloqueio de valores em suas contas e planeja migrar os recursos para dólar digital, referindo-se a criptomoedas. O grupo ostentava alto padrão de vida, com 29 veículos de luxo avaliados em R$ 28 milhões apreendidos pela PF.
A investigação também apura pagamento de propina a servidores do INSS para garantir a continuidade das operações ilegais. O material divulgado reforça o esquema sofisticado e organizado que desviou recursos públicos, afetando milhões de beneficiários do INSS em todo o país.
Esquema bilionário e estratégias para ocultação
A Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal, expôs a atuação do grupo Golden Boys, que assumiu o controle de associações usadas para descontos indevidos em benefícios previdenciários. O uso de tecnologia, como sistema próprio de biometria para fraudar assinaturas, e a conversão de recursos para criptomoedas indicam a complexidade do esquema.
A divulgação dos vídeos e áudios reforça o andamento da apuração e a tentativa dos investigados de protegerem seus bens, dificultando o trabalho das autoridades responsáveis pelo combate à corrupção e fraudes no sistema previdenciário brasileiro.
Fonte: metropoles.com










