Padre é acusado de injúria racial durante cerimônia de matriz africana


Caso ocorreu em Praia Grande; paróquia nega ofensas e afirma que padre permaneceu em silêncio.

Padre é acusado de injúria racial durante cerimônia de matriz africana
Padre teria ofendido líder em culto e depois derrubado celular da mão de esposa

Padre é acusado de ofensas raciais em culto durante cerimônia de matriz africana em Praia Grande.

Um padre é acusado de injúria racial após invadir uma cerimônia de matriz africana que acontecia no Cemitério da Grande Planície, em Praia Grande, São Paulo. O incidente, que ocorreu no Dia de Finados, gerou grande repercussão após o registro do boletim de ocorrência por Leandro Oliveira Rocha, o babalorixá presente na cerimônia. Rocha afirma que o padre, identificado como Thomas, o chamou de “macaco nojento” durante o culto, o que levou a uma discussão acalorada.

A reação da paróquia e as circunstâncias do ocorrido

A paróquia em questão, Nossa Senhora das Graças, nega as acusações e alega que o padre permaneceu em silêncio durante toda a cerimônia. De acordo com a paróquia, a celebração de matriz africana teria ultrapassado o horário estipulado pela prefeitura, que marcava a cerimônia para às 14h, com a missa católica programada para às 16h. A paróquia defende que o padre apenas solicitou a conclusão do ritual para preparar o espaço para a missa.

Desdobramentos e investigações em andamento

A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou que as diligências sobre o caso estão em andamento, mas não forneceu detalhes sobre a investigação. Rocha, em entrevista, afirmou que se sentiu desrespeitado e ofendido, relatando que a situação o deixou “triste e cabisbaixo”. Ele e sua esposa, Monique Francine Borges dos Santos, tentaram documentar o ocorrido, mas alegam que o padre tentou derrubar o celular dela durante a confusão.

Reações da comunidade e pedidos de justiça

O caso provocou reações entre líderes de religiões de matriz africana, que consideram as ações do sacerdote como uma violação grave. O babalorixá Lindomar de Ogun expressou sua indignação, afirmando que é inaceitável que um sacerdote de qualquer religião proferisse ofensas racistas. Outros membros da comunidade também se manifestaram, reforçando a necessidade de respeito e reconhecimento das práticas religiosas afro-brasileiras.

A luta contra a discriminação e a importância da denúncia

Monique, que também é uma das vítimas, relatou ter sofrido ataques nas redes sociais após a divulgação da nota de repúdio da Comissão de Matrizes Africanas de Praia Grande. Ela destacou a importância de denunciar a violência e o racismo enfrentados por quem professa crenças diferentes. “É doloroso ver que ainda existem pessoas que tentam justificar a violência contra quem professa uma fé diferente”, afirmou Monique.

A paróquia, enquanto isso, reiterou que confia na apuração das autoridades competentes e que repudia qualquer forma de discriminação. A situação continua a ser monitorada pelas autoridades locais, enquanto a comunidade se mobiliza em defesa do respeito à diversidade religiosa.

Fonte: noticias.uol.com.br


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