Economias do oriente médio enfrentam desafios econômicos em abril devido ao conflito regional


Impactos do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã afetam cadeias de suprimentos, custos e produção nas principais economias do Oriente Médio

Economias do oriente médio enfrentam desafios econômicos em abril devido ao conflito regional
Vista aérea do Estreito de Ormuz, região estratégica afetada pelo conflito. Foto: REUTERS/Abdelhadi Ramahi

Principais economias do Oriente Médio enfrentam alta nos custos e interrupções nas cadeias de suprimentos em abril devido ao conflito regional.

Impactos do conflito no Oriente Médio: desafios econômicos em abril

Em abril de 2026, os desafios econômicos no Oriente Médio foram intensificados pelo conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, afetando gravemente as principais economias da região. A instabilidade resultou em interrupções no espaço aéreo e no fechamento do Estreito de Ormuz, causando impactos significativos nas cadeias de suprimentos e elevando os custos para as empresas não petrolíferas. Economistas e especialistas acompanharam de perto os dados do Índice de Gerentes de Compras (PMI) para compreender a extensão desses efeitos.

Desempenho do setor privado não petrolífero na Arábia Saudita e seus desafios logísticos

Na Arábia Saudita, o setor privado não petrolífero registrou uma retomada do crescimento em abril, com o PMI subindo para 51,5. As empresas aumentaram a produção respondendo a um crescimento moderado nos novos negócios, ainda que a expansão tenha sido contida por adiamentos em decisões de gastos dos clientes devido à incerteza regional. As disrupções no transporte marítimo continuaram a pressionar as cadeias de suprimentos, elevando os custos dos insumos industriais a níveis recordes. Segundo Naif Al-Ghaith, economista-chefe do Riyad Bank, a extensão dos prazos de entrega motivou um aumento preventivo dos estoques pelas empresas, refletindo um comportamento empresarial cauteloso diante dos riscos logísticos.

Contração e pressões inflacionárias nos Emirados Árabes Unidos e Dubai

Os Emirados Árabes Unidos enfrentaram uma desaceleração mais acentuada, com o PMI caindo para 52,1 em abril, o menor índice desde fevereiro de 2021. A redução nos pedidos de exportação e a fraqueza no turismo refletiram na moderação do crescimento das vendas. As pressões inflacionárias aumentaram, com os custos dos insumos atingindo o maior patamar desde julho de 2024, especialmente devido ao petróleo e transporte. Em Dubai, o PMI específico caiu para 51,6, a mais fraca melhora desde setembro de 2021, com desaceleração na produção e nos novos negócios. Mesmo assim, expectativas de recuperação foram observadas, sustentadas por investimentos em inteligência artificial e atividades na construção civil.

Persistência da retração econômica no Kuwait e esperanças de recuperação

No Kuwait, o setor privado não petrolífero continuou a sentir os efeitos adversos do conflito. O PMI permaneceu em 46,3, indicando contração pelo segundo mês consecutivo. O fechamento prolongado do espaço aéreo, aliado a disrupções no transporte marítimo, restringiu viagens e operações comerciais. Houve queda significativa nas novas encomendas e redução na carteira de trabalhos, levando a cortes no emprego e na atividade de compras. Andrew Harker, diretor de Economia na S&P Global Market Intelligence, destacou a ausência de alívio para as empresas, embora a reabertura do espaço aéreo em 23 de abril possa sinalizar melhorias próximas.

Catar: contração econômica e redução do pessimismo empresarial

O Catar registrou uma leve recuperação no PMI, que subiu para 46,4 em abril, ainda assim permanecendo em níveis baixos historicamente. Novos negócios continuaram em retração, embora em ritmo menos intenso. A incerteza provocada pelo conflito manteve o pessimismo entre as empresas, embora a proporção de sentimentos negativos tenha diminuído significativamente, de 70% em março para 29% em abril, sinalizando otimismo com possíveis negociações de paz. As pressões inflacionárias persistiram, com aumentos nos preços de insumos e salários, parcialmente repassados aos clientes por meio de tarifas de venda.

Conclusões sobre os efeitos do conflito e perspectivas regionais

O conflito no Oriente Médio em abril de 2026 exerceu uma pressão ampla sobre as economias da região, especialmente nos setores não relacionados ao petróleo. A combinação de disrupções logísticas, aumento dos custos e incerteza econômica resultou em contrações e desacelerações expressivas em vários países. Apesar disso, sinais de resiliência e planejamento estratégico, como o aumento de estoques preventivos e investimentos em tecnologia, indicam que as empresas buscam se adaptar ao cenário adverso. A expectativa de normalização das rotas de transporte e negociações políticas pode favorecer um ambiente mais estável nos próximos meses, reduzindo os riscos econômicos para a região.


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