Desafios econômicos e escândalos de corrupção minam popularidade do presidente argentino desde 2025

O governo de Javier Milei enfrenta alta inflação, queda econômica e escândalos de corrupção que afetam sua popularidade na Argentina.
Corrupção e inflação na Argentina desafiam governo Javier Milei desde 2025
Desde o final de 2025, a administração ultraliberal de Javier Milei enfrenta uma dura conjuntura marcada pela aceleração da inflação e uma economia em retração. A inflação, que chegou a apresentar redução para cerca de 2% ao mês, voltou a subir, alcançando 3,4% em março de 2026. Paralelamente, a atividade econômica apresentou queda de 2,6% em fevereiro na comparação com janeiro, e a indústria sofreu uma retração de 4% no mesmo período, acumulando uma baixa de 8,7% nos últimos 12 meses. Esses indicadores pressionam o governo a buscar soluções diante de um cenário preocupante.
Escândalos de corrupção impactam popularidade e confiança no governo Milei
Além dos desafios econômicos, casos recentes de corrupção atingem diretamente a imagem do presidente Javier Milei. A investigação sobre o enriquecimento ilícito do chefe de gabinete Manuel Adorni, que envolve viagens e aquisições de imóveis incompatíveis com sua renda declarada, contribui para o desgaste político. Pesquisas indicam que a desaprovação do governo ultrapassa 60%, com 66,6% da população percebendo uma quebra da promessa “anti-casta” feita por Milei. A corrupção aparece como o principal problema para os argentinos, superando até mesmo questões como desemprego e inflação.
Avaliação crítica do plano econômico ultraliberal e suas limitações
Especialistas, como Paulo Gala, professor da Fundação Getulio Vargas, classificam o plano econômico de Milei como simplista, ressaltando que apenas a redução do Estado e austeridade fiscal não são suficientes para reverter a crise. A dolarização dos contratos e a sobrevalorização do peso argentino prejudicam o setor industrial, que é vital para o desenvolvimento tecnológico e produtivo do país. Essa desindustrialização tende a concentrar a economia argentina no setor agroexportador, aumentando o risco de recessão e crise cambial devido à alta dívida externa em dólares.
Perspectivas políticas e impacto na oposição até as eleições de 2027
Apesar das dificuldades enfrentadas pelo governo, a oposição ainda não consegue se consolidar como alternativa viável nas urnas. A desorganização política da oposição mantém Milei com certa margem de manobra até as próximas eleições presidenciais previstas para 2027. Contudo, o governo terá que enfrentar importantes desafios econômicos e éticos para recuperar a confiança do eleitorado e estabilizar o país.
Restrição à imprensa e reação do governo diante da crise política
Em um movimento controverso, o governo Milei proibiu temporariamente a entrada de jornalistas na Casa Rosada, afetando cerca de 60 profissionais que cobriam o Poder Executivo. A medida foi vista como uma ameaça à liberdade de imprensa e gerou críticas intensas. Após pressão, o governo reabriu o acesso, mas manteve restrições à circulação dentro da sede do poder, evidenciando uma postura mais restritiva diante da cobertura jornalística em meio à crise.
A situação econômica e política da Argentina sob a liderança de Javier Milei permanece complexa e desafiadora, com inflação crescente, retração produtiva e problemas institucionais que colocam em xeque a estabilidade e as perspectivas futuras do país.










