Narges Mohammadi sofre com falta de tratamento adequado e deterioração da saúde em prisão no Irã

Narges Mohammadi, Nobel da Paz 2023, corre risco após enfarte e falta de tratamento médico adequado na prisão iraniana.
Narges Mohammadi enfrenta risco grave de saúde após enfarte na prisão de Zanjan
A ativista iraniana Narges Mohammadi, vencedora do Nobel da Paz de 2023, está sem tratamento adequado após sofrer um enfarte na Prisão Central de Zanjan, no noroeste do Irã. Desde dezembro de 2025, quando foi presa por críticas ao governo, seu estado de saúde se deteriora rapidamente. Segundo a Fundação Narges, ela perdeu 20 kg e apresenta dores torácicas persistentes e pressão arterial elevada, sem resposta à medicação.
Recusa do Ministério Público para transferência e tratamento especializado
Apesar da recomendação do Instituto Médico Legal de Zanjan, a defesa de Narges solicitou ao Ministério Público de Teerã uma suspensão condicional da pena por um mês para que a ativista recebesse cuidados cardíacos especializados fora da prisão. O pedido foi rejeitado, com a justificativa de que a infraestrutura local seria suficiente. No entanto, dois cardiologistas indicaram que os hospitais da cidade não têm capacidade para procedimentos complexos e cuidados pós-operatórios necessários devido ao histórico de três angioplastias da ativista.
Impacto da negligência médica no quadro clínico e direitos humanos
A situação crítica da saúde de Narges Mohammadi tem gerado preocupação entre familiares e defensores dos direitos humanos. Seu irmão, Hamidreza Mohammadi, descreve a situação como “uma morte em câmera lenta” e denuncia a negligência médica prolongada como uma forma de tortura. A filha da ativista, Kiana Rahmani, destaca que a privação do direito fundamental à saúde viola princípios internacionais de dignidade humana e direitos dos presos de consciência.
Histórico de ativismo e prisões anteriores
Narges Mohammadi é conhecida por sua luta pelos direitos das mulheres e contra a pena de morte no Irã. Ao longo de sua trajetória, já esteve presa em diversas ocasiões, totalizando mais de 10 anos encarcerada. A atual pena de sete anos e seis meses foi imposta em fevereiro de 2026, após um novo julgamento pelo governo iraniano.
Implicações internacionais e contexto político
O caso de Narges Mohammadi ressalta o clima de repressão no Irã, especialmente contra ativistas e opositores políticos. A recusa em oferecer tratamento adequado para uma vencedora do Nobel da Paz evidencia o endurecimento das políticas internas e levanta alertas sobre violações sistemáticas dos direitos humanos no país. A comunidade internacional acompanha com atenção, enquanto a saúde da ativista permanece em estado crítico e vulnerável.









