Relatório da Agência Nacional de Águas aponta recuo da seca no leste e agravamento no sul e noroeste do estado

O monitor de secas no Paraná revela redução no leste e avanço no sul e noroeste devido a chuvas irregulares em abril.
Análise detalhada do monitor de secas no Paraná em abril
O monitor de secas no Paraná divulgado pela Agência Nacional de Águas em 18 de abril de 2026 mostra variações significativas no cenário hídrico estadual. Reinaldo Kneib, meteorologista do Simepar, destaca que enquanto o leste do Paraná apresentou recuo da seca de moderada para fraca devido às chuvas acima da média, as regiões sul e noroeste sofreram avanço da seca para níveis moderados pela falta de precipitações relevantes.
Esse quadro reflete a irregularidade das chuvas no mês de abril, que apesar de concentradas em certas áreas, não foram suficientes para reduzir o estresse hídrico em todo o estado. A coordenação do Simepar, responsável pelo levantamento regional, aponta que a seca persiste desde o início do ano, com impactos importantes tanto no curto quanto no longo prazo, especialmente no norte paranaense.
Impactos agrícolas e ambientais causados pela seca no Paraná
A continuidade da seca com diferentes intensidades compromete a produção agrícola, conforme indicado pelo Boletim Agroclimático do Simeagro. Embora as chuvas de abril tenham contribuído para aliviar o estresse hídrico na segunda safra de milho, limitações no potencial produtivo permanecem em áreas afetadas pelo déficit de água. Além disso, a seca afeta a disponibilidade de recursos hídricos e o equilíbrio ambiental, prejudicando a umidade do solo e a vegetação.
Essa conjuntura evidencia a necessidade de estratégias de gestão hídrica mais eficientes para minimizar os prejuízos causados por períodos secos prolongados, principalmente nas regiões com maior agravamento da seca.
Precipitações irregulares e fenômenos meteorológicos que influenciaram abril
As chuvas do mês de abril seguiram um padrão irregular, com vários dias seguidos sem precipitação e ocorrências de volumes elevados em determinados dias. Estações como Antonina registraram mais de 140 mm em um único dia, enquanto cidades como Toledo e Guarapuava também apresentaram volumes superiores a 100 mm em dias isolados.
Marco Jusevicius, coordenador de operações do Simepar, explica que um bloqueio atmosférico impediu a passagem de frentes frias durante grande parte do mês, contribuindo para o regime de chuvas concentrado. Nos últimos dias de abril, a chegada de uma frente fria e um cavado meteorológico alteraram o padrão climático, promovendo variações significativas no tempo.
Metodologia e abrangência do monitor de secas no Brasil
O monitor de secas, iniciado em 2014 e coordenado pela Agência Nacional de Águas desde 2017, utiliza dados de diversos institutos para mapear a situação da seca em todo o Brasil. O Simepar é responsável pela análise mensal das regiões Sul e Sudeste, considerando precipitação, temperatura, vegetação, níveis de reservatórios e evapotranspiração.
O mapa divulgado em abril indica que, embora não haja seca extrema ou excepcional no país, a seca moderada persiste em várias regiões, inclusive em estados vizinhos ao Paraná. A seca fraca ainda é frequente em diversas áreas, com exceção do Acre e Mato Grosso, que não registram níveis de seca neste período.
Perspectivas e importância do monitoramento contínuo da seca no Paraná
O monitor de secas no Paraná é fundamental para entender as mudanças climáticas locais e suas consequências. A continuidade do monitoramento permite antecipar riscos, planejar ações emergenciais e orientar o uso racional da água e práticas agrícolas adequadas.
Investimentos em pesquisas e tecnologia, como a modelagem numérica da previsão do tempo desenvolvida pelo Simepar, contribuem para aprimorar a precisão das análises e apoiar a tomada de decisão. A combinação desses esforços é essencial para enfrentar os desafios impostos pelas variações climáticas e garantir a sustentabilidade hídrica do estado.
Fonte: www.parana.pr.gov.br









